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A TSU sem TSU igual a TSU

A alteração da TSU caiu. Mas não muda nada. A vontade popular não é apenas que deixem cair a TSU, mas sim que as deixem viver sem cair na miséria.

A alteração da TSU caiu. Mas não muda nada. Outros impostos aí vêm, um imposto generalista sobre os rendimentos do sector público e privado. O que é surpreendente é que isto já seja aceite com alívio generalizado. De Pedro Lomba a João Proença, todos os opinadores públicos da praça acham a medida inevitável. Porque respeita formalmente o Tribunal Constitucional; porque recupera alguma autoridade moral deixando cair impostos encapotados na TSU e desistindo da ideia peregrina de roubar a quem trabalha para dar a quem manda; porque respeita as exigências populares e dá um sinal de que ouvem a sociedade. Infelizmente nada disto acontece verdadeiramente. O acórdão do Tribunal Constitucional não dá carta branca aos cortes se eles se tornarem generalizados. A chico-espertice de tentar enganar cortar salários através da TSU não se torna moralmente aceitável se passar a ser feita às claras. A vontade popular não é apenas que deixem cair a TSU, mas sim que as deixem viver sem cair na miséria.

Mas sobretudo, as consequências económicas de qualquer medida equivalente à alteração da TSU não se tornam menos más pela alteração do nome. Um corte de salários é um corte ao consumo que vai lançar a recessão para níveis gregos em 2013. O governo não ganhou sequer o argumento financeiro e económico dos novos cortes. Não os sabe explicar com ou sem TSU.

É por isso extraordinário que a única consequência prática do Conselho de Estado tenha sido entregar ao governo carta branca para cortar, onde lhe apetecer, desde que de forma aceitável. Porque o despautério da TSU foi tão grande que qualquer coisa que venha a seguir será um alívio de normalidade política. Não quer isto dizer que a coligação sobreviva muito tempo, ou que o governo tenha tempos fáceis pela frente ou sequer que Passos Coelho sobreviva politicamente a tudo isto, mas ganhou uma margem de manobra extraordinária dadas as circunstâncias.

O país e a sociedade, segundo Miguel Macedo

Miguel Macedo diz que “Portugal tem muitas cigarras e poucas formigas.”

A fábula é gira. Eficaz. Só há um problema. É que na fábula, a cigarra, mandriona, não se precaveu do inverno que aí vinha e, não fossem as formigas, teria morrido de frio. Ora, Portugal é um país de muitas muitas formigas que, no mundo real, passam fome para que algumas cigarras tenham uma bela vida. E é por isso que este tipo de declarações, seja qual for a leitura que se faça da coisa, é um desastre total. Porque no meio desta hecatombe política, temos mais um membro deste governo a revelar que não faz a menor ideia do povo que tem, do país que tem, da miséria que estão a criar, e de os portugueses estarem absolutamente fartos que lhes insultem a inteligência.

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