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Despedimentos coletivos já aumentaram 74%, face ao ano anterior

As estatísticas mostram que, até Agosto, 627 empresas recorreram ao despedimento coletivo, o que representa a eliminação de 5843 postos de trabalho, um aumento de 82% face ao mesmo período do ano anterior. Um estudo indica que a alta taxa de desemprego está, na prática, a diminuir os salários.
De acordo com a DGERT, a situação tenderá a agravar-se significativamente. Entre Janeiro e Agosto, houve 773 empresas que iniciaram novos processos para despedimento coletivo de 8054 trabalhadores. Foto de Paulete Matos.

Segundo os números Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT), citados pelo jornal Público, a degradação da economia explica o crescimento acentuado dos despedimentos coletivos em 2012, que acompanha uma tendência que já vinha do ano anterior.

As estatísticas mostram que, até Agosto, 627 empresas recorreram ao despedimento coletivo, ou seja, o número de processos aumentou 74% face a igual período de 2011. São já quase tantas como as 641 empresas que o fizeram nos 12 meses de 2011 (6526 despedidos). E bastante mais do que as 360 que o tinham feito nos primeiros oito meses de 2011.

Do número de processos concluídos até Agosto, a esmagadora maioria diz respeito a micro e pequenas empresas, que representam 79 por cento dos processos de despedimento coletivo, ou seja, mais de 3000 despedimentos num total de 5843 pessoas que perderam o trabalho.

Há 8054 postos de trabalho em risco iminente

De acordo com a DGERT, a situação tenderá a agravar-se significativamente. Entre Janeiro e Agosto, houve 773 empresas que iniciaram novos processos para despedimento coletivo de 8054 trabalhadores, num universo de 56.508 trabalhadores.

Numa análise por regiões, verifica-se que é no Norte e na região de Lisboa e Vale do Tejo que se regista o maior número de processos e de pessoas despedidas. No Norte concluíram-se 262 despedimentos coletivos e foram despedidas 2467 pessoas. Em Lisboa e Vale do Tejo, foram concluídos 256 processos, tendo sido despedidas 2590 pessoas.

Desemprego está a fazer baixar os salários

Pela primeira vez em várias décadas, diminuiu o salário médio que os portugueses levam para casa no final do mês, diz um estudo sobre a evolução dos ordenados no país em 2012. E é a precariedade o desemprego o que tem ajudado os patrões a baixar os salários.

Por situações de reforma, fim de contratos laborais ou reestruturações internas, as empresas estão a substituir trabalhadores e a oferecer remunerações inferiores a quem entra para as mesmas funções.

O responsável em Portugal pelos estudos salariais da Mercer, Tiago Borges, explicou à TSF que a alta taxa de desemprego está, na prática, a diminuir os salários. “As novas pessoas que estão a entrar para os mesmos níveis profissionais estão a aceitar remunerações abaixo daquelas que eram as remunerações de mercado”, afirmou.

“O efeito de substituição [de trabalhadores] é muito significativo", diz Tiago Borges. Com a taxa de desemprego real quase nos 20 por cento, aumenta a pressão para reduzir os ordenados médios. Há cada vez mais pessoas sem trabalho dispostas a ganhar menos. "Os colaboradores em novas funções estão a aceitar valores de remuneração mais baixos devido ao impacto que a alta oferta de profissionais (particularmente os menos qualificados) tem na formação dos novos salários", explica Tiago Borges, citado pelo Público.

Quem mais tem sofrido com os cortes nos salários são, por isso, os administrativos e os operacionais da indústria, funções onde as descidas médias verificadas este ano são de 1,27% e 1,80%, respetivamente. Do lado oposto estão os diretores-gerais e administradores que viram o seu salário reduzir-se apenas em 0,37%.

A diferença deve-se sobretudo ao tipo de vínculo contratual que estes cargos têm. "Os CEO têm mais antiguidade e estabilidade dentro da empresa, contratos de longa duração, o que não acontece noutras funções. Além disso, é mais difícil substituir estes quadros por alguém com um menor nível salarial".

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