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Ministro Miguel Macedo diz que há poucos portugueses trabalhadores

Responsável pela Administração Interna afirma que Portugal é "um país com muitas cigarras e poucas formigas", numa alusão à fábula de La Fontaine.
Miguel Macedo: Muitas cigarras e poucas formigas. Foto oficial

Talvez agastado pelos protestos e vaias de um grupo de elementos da comissão de luta contra as portagens nas auto-estradas A24, A25 e A23, o ministro Miguel Macedo, que já foi líder parlamentar do PSD, disse diante de uma plateia de bombeiros em Campia, Vouzela, que Portugal "não pode continuar um país de muitas cigarras e poucas formigas". Traduzindo, o ministro disse que o país não pode continuar a ser um país de muitos que vivem na “boa vida” e poucos que trabalham.

Como se sabe, “A Cigarra e a Formiga” é uma fábula atribuída a Esopo e contada por Jean de La Fontaine. Conta a história da cigarra que passou o verão a cantar e que quando chegou o inverno, vendo-se sem nada para comer, foi pedir ajuda à formiga trabalhadora.

Segundo a Lusa, esta foi a mais forte passagem do seu discurso: a referência à fábula da formiga, a trabalhadora, e da cigarra, a preguiçosa, que contextualizou no cenário de crise que o país atravessa, um cenário que para Miguel Macedo "é muito, muito difícil".

Ainda segundo a Lusa, o ministro alegou com os "constrangimentos de soberania financeira", numa alusão ao memorando da troika, e sublinhou que a alusão à fábula consistia em "pedagogia para os tempos difíceis".

Sem querer descodificar a “pedagogia” do ministro (será que ele se referia aos desempregados quando dizia que há muitas cigarras?), aqui fica a fábula:

A cigarra e a formiga – La Fontaine, tradução de Bocage (1765-1805)

Tendo a cigarra, em cantigas,

Folgado todo o verão,

Achou-se em penúria extrema,

Na tormentosa estação.


 

Não lhe restando migalha

Que trincasse, a tagarela

Foi valer-se da formiga,

Que morava perto dela.


 

– Amiga – diz a cigarra

– Prometo, à fé de animal,

Pagar-vos, antes de Agosto,

Os juros e o principal.


 

A formiga nunca empresta,

Nunca dá; por isso, junta.

– No verão, em que lidavas?

– À pedinte, ela pergunta.


 

Responde a outra: – Eu cantava

Noite e dia, a toda a hora.

– Oh! Bravo! – torna a formiga

– Cantavas? Pois dança agora!

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