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O fantasma da instabilidade política

A estabilidade da coligação PSD/CDS é a instabilidade das famílias forçadas a sacrifícios inauditos e injustos.

Agora que a crise política se instalou, levanta-se um coro vozes a alertar para os perigos da instabilidade. Num momento em que o país vive uma situação difícil, dizem, a instabilidade política poderá ser uma catástrofe.

Subentendido está, neste raciocínio, que tudo estava bem até há umas duas semanas; e que agora, depois de se terem realizado as maiores manifestações desde o 1º de maio de 1974 e de os partidos da coligação do governo começarem à chapada, tudo ficou muito perigoso e Portugal pode se encaminhar para o abismo. Mas será assim?

Será que os reformados e pensionistas estavam bem com menos dois salários roubados em nome de uma crise de que não tiveram qualquer responsabilidade?

Será que os funcionários públicos, que sofreram o mesmo roubo, estavam bem?

Será que todo o povo, sofrendo com o aumento do IVA, das tarifas, dos transportes, vivia feliz?

Será que os milhares de portugueses que foram atirados para o desemprego todos os dias se regozijavam por terem um governo estável?

Será que os jovens que terminaram o seu curso universitário e se viram sem a menor possibilidade de conseguir um emprego deram graças por viverem num país cheio de estabilidade política?

E, finalmente, será que quando os portugueses descobriram que os sacrifícios brutais que foram forçados a fazer não serviram para nada – que o défice aumentou, que a dívida aumentou, que o governo exige mais sacrifícios, mais desiguais e iníquos ainda – pensaram: “Bem, mas pelo menos temos estabilidade política, senão seria pior?”

É claro que não.

A estabilidade da coligação PSD/CDS é a instabilidade das famílias forçadas a sacrifícios inauditos e injustos. É a instabilidade dos portugueses e de todos os cidadãos que aqui vivem, espoliados pela troika.

É por isso que a crise política que vivemos se foi gerando, aos poucos, sem que o governo desse por isso, convencido que os portugueses eram “mansos”, carneirinhos que iam em rebanho para o matadouro sem um protesto.

Enganaram-se.

E agora que há instabilidade no governo, foi criada a possibilidade de criar a estabilidade que os portugueses precisam e merecem. A estabilidade dos subsídios de férias e natal recuperados; a estabilidade de os impostos voltarem a um nível decente; a estabilidade de não irem para a frente as alterações da TSU que Passos e Gaspar querem aplicar.

Essa é a estabilidade que todos querem. Mas só se chega a ela expulsando a troika e mandando Passos e Portas para casa. Foi isso o que mais se gritou na memorável jornada de 15 de setembro. Sabiamente.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net
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