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Diretor da Biblioteca Nacional recusa ser cúmplice da "delapidação de Portugal"

Numa carta explosiva, Pedro Dias diz não reconhecer qualquer "legitimidade ao Governo para se manter em funções, por ter renegado todas as promessas feitas ao eleitorado" e delapidar o país "em benefício de grupos económicos". Apesar do diretor-geral ter renunciado ao cargo em dezembro, o Governo tem vindo a adiar a sua substituição.
Pedro Dias recusa-se a "auxiliar aqueles que, paulatinamente, arruínam Portugal"

A carta foi enviada na semana passada, ainda antes da manifestação que juntou cerca de um milhão de pessoas por todo o país a pedir a saída do governo de Passos Coelho. Pedro Dias, que afirma já se ter desvinculado de militante do PSD, diz que está a tentar sair do cargo desde há um ano, uma vez que só aceitou o convite para dirigir a instituição "pelo período necessário que decorresse até à reabertura ao público da Biblioteca Nacional de Portugal".

As razões da renúncia são pessoais mas também políticas, afirma Pedro Dias. "Não só não me revejo na politica do Senhor Primeiro Ministro, como estou completamente contra ela, e não reconheço legitimidade ao Governo para se manter em funções, por ter renegado todas as promessas feitas ao eleitorado, e que constituem a base da sua legitimidade democrática", diz na carta enviada ao Chefe de Gabinete de Francisco José Viegas, por não conseguir falar com este Secretário de Estado, que só viu duas vezes desde a tomada de posse do Governo.

"É assim absolutamente inaceitável ser cúmplice destas acções, enquanto Director-Geral, participando na delapidação de Portugal e dos seus recursos, em benefícios de grupos económicos, com o esmagamento das classes trabalhadoras e do domínio, no campo politico, da Maçonaria, entidade que sempre combati", acrescenta o ainda diretor-geral da Biblioteca Naiconal de Portugal.

"Os problemas que o Governo tem com a substituição dos Directores-Gerais são fruto da sua própria politica, da sua descredibilização e da sua inépcia, pelo que não me devo sujeitar aos resultados das suas acções e omissões, quando sou clara e frontalmente oposição ao mesmo", refere o diretor demissionário, que vê no prolongamento forçado do seu mandato "castigo por crime que não cometi".

"Com os roubos sucessivos que tenho sido alvo, nada me move para auxiliar aqueles que, paulatinamente, arruínam Portugal", conclui Pedro Dias, reclamando um desfecho para a situação, com o Governo a encontrar alguém que esteja disponível para assumir o cargo.

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