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“Política do governo foi rejeitada na rua”

Em declarações ao esquerda.net, João Camargo, um dos organizadores da manifestação de 15 de setembro, afirmou que a adesão massiva a este protesto foi “um sinal do fim do consenso da troika”. Este ativista apelou ainda à mobilização para a concentração de sexta feira, nos jardins de Belém, durante a reunião do Conselho de Estado.
Foto de Paulete Matos.

João Camargo, referindo-se à participação massiva nas manifestações de 15 de setembro, que juntaram, pelo menos, um milhão de pessoas, lembrou que “a adesão inicial ao protesto foi logo muito forte” mas que, após o anúncio de Passos Coelho, “de repente as coisas dispararam”, já que “as pessoas perceberam que o limite do que estavam dispostas a tolerar tinha sido atingido”.

“Todos os dados estavam a confirmar aquilo que vinha a ser repetido há muito tempo: a troika e a austeridade não funcionam”, sublinhou o ativista. “As pessoas deram um bom período de experiência na expectativa de que a situação iria melhorar e acabaram por verificar que, de facto, tudo está pior, há mais desemprego, mais recessão”, avançou.

Com o anúncio de novas medidas de austeridade, “o que nos foi apresentado é ainda pior”, destacou João Camargo, adiantando que, “pela primeira vez, vê-se claramente de onde vem o dinheiro e para onde ele vai: sai dos salários e é entregue diretamente às empresas”.

“A adesão à manifestação de 15 de setembro foi um sinal do fim do consenso. Acabou o consenso da troika, o povo português já não está no consenso da troika, já não é o bom aluno”, frisou.

Questionado sobre quais são perspetivas de futuro do movimento, o ativista salientou que “agora é preciso trabalhar muito” e apelou à participação no protesto agendado para as 18h da próxima sexta feira em frente ao Palácio de Belém, onde terá lugar a reunião do Conselho de Estado.

“É importante que muita gente responda ao apelo que está a ser feito”, no qual é exigido que se rasgue o memorando da Troika e se reivindica “a demissão deste governo troikista”, destacou. “Queremos uma decisão acerca do futuro do país” e “rejeitamos este modelo de subdesenvolvimento que está a ser aplicado a Portugal”, esclareceu João Camargo, adiantando ainda que “serão rejeitadas quaisquer propostas de governos de tecnocratas ou governos de salvação nacional porque estes não têm qualquer legitimidade para manter esta política, que foi rejeitada na rua por uma maioria social esmagadora”.

Ao esquerda.net, João Camargo falou ainda sobre a preparação de “uma grande Greve Geral, uma greve popular que saia dos moldes a que estamos habituados, e que as pessoas possam assumir como sua”.

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