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TSU: Estudo revela que alterações implicam perda de 68 mil postos de trabalho

Aumentar as contribuições sociais pagas pelos trabalhadores terá efeitos bastante negativos para o país, superando quaisquer vantagens que o Governo possa anunciar, defende um estudo da Universidade do Minho elaborado por cinco economistas.
Manifestação "Que se lixe a troika", 15 de Setembro de 2012. Foto de Paulete Matos.

Embora o Primeiro-ministro e o ministro das Finanças se tenham esforçado para defender que o aumento da Taxa Social Única (TSU) paga pelos trabalhadores se irá traduzir num aumento de postos de trabalho, o estudo da Universidade do Minho divulgado esta segunda-feira vem referir exatamente o contrário. São 68 mil as pessoas que podem vir a perder o emprego.

"Considerando um intervalo de confiança de 95 por cento, os nossos resultados sugerem que a perda de empregos pode ser na ordem dos 68 mil. Por outro lado, na melhor das hipóteses, o impacto sobre a criação de emprego é praticamente nulo, apenas criaria 1000 empregos", adianta o estudo "Emprego e TSU: O impacto no emprego das alterações nas contribuições dos trabalhadores e das empresas".

No desemprego de longa duração (55 por cento do desemprego total em 2010), o impacto da descida das contribuições das empresas é "estatisticamente não significativo", enquanto o aumento da TSU para os trabalhadores irá "traduzir-se num aumento do peso dos desempregados de longa duração", lê-se no referido estudo.

Além disto, "a subida da TSU para os trabalhadores tem um impacto negativo assinalável na população ativa. Tal efeito pode dever-se, por exemplo, à redução do salário líquido que leva ao abandono do mercado de trabalho (via emigração, por exemplo)", sublinham os professores e economistas Luís Aguiar-Conraria, Fernando Alexandre, João Cerejeira e Miguel Portela (Universidade do Minho), e  Pedro Bação (Universidade de Coimbra).

Passos Coelho anunciou, na semana passada, uma redução na contribuição para a Segurança Social das empresas de 23,75 para 18 por cento, em contrapartida de um aumento da mesma para os trabalhadores de 11 para 18 por cento. Segundo as previsões anunciadas, a medida traduz-se num aumento de 2800 milhões de euros dos descontos dos trabalhadores e numa redução dos descontos das empresas de 2300 milhões de euros.

As próprias previsões do Governo para 2013 mostram que a descida da TSU para as empresas não evita que o emprego caia 1,4% no próximo ano.

Nas Grandes Opções do Plano (GOP) para 2013, a que o Diário Económico teve acesso, os cálculos do Ministério das Finanças apontam para uma quebra de 1,2 por cento no emprego. Ou seja, serão destruídos mais 54 mil postos de trabalho face a este ano. Isto depois de, em 2012, a economia ter visto desaparecer mais de 200 mil empregos. Na previsão anterior, de Junho, era projetada uma quebra no emprego de 0,7 por cento.
 

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