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Trabalhadores dos Portos e da Galp em greve a partir desta segunda feira

Os trabalhadores do grupo Galp Energia (Galp, Petrogal e Lisboagás) fazem três dias de greve por melhores salários e pelo cumprimento da contratação coletiva. Os trabalhadores portuários iniciam um período de cinco semanas de greves com diferentes datas por sindicato, contra a revisão do regime jurídico do trabalho portuário, que pode deixar sem trabalho metade dos trabalhadores.
Trabalhadores dos Portos fazem greves durante cinco semanas, os da Galp fazem greve de 3 dias - Foto do blogue estivadoresaveiro.blogspot.pt

A greve dos trabalhadores do grupo Galp Energia foi convocada pela Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas – filiada na CGTP), decorrerá nos dias 17, 18 e 19 de setembro e abrangerá cerca de 4.000 trabalhadores, do universo da Galp Energia nas áreas da exploração, da produção, das refinarias e da distribuição.

À Agência Lusa, Armando Farias, coordenador da Fiequimetal, declarou que “tudo indica que vamos ter uma das maiores greves de sempre na empresa e entendemos que a administração deveria sentar-se à mesa, negociar e encontrar uma solução, que passa por manter os direitos dos trabalhadores”.

Segundo Armando Farias, a paralisação tem como objetivo “a defesa dos direitos dos trabalhadores”, numa altura em que "a empresa quer tirar direitos aos trabalhadores sobretudo aos que estão na contratação coletiva, o que é inaceitável” e resulta da aplicação do novo Código do Trabalho. A greve pretende também contestar “o aumento da comparticipação do regime do seguro de saúde, com um agravamento significativo das comparticipações a cargo dos trabalhadores” e é um protesto contra a atualização salarial de “apenas” um por cento, ocorrida no início do ano, quando, no primeiro semestre, a empresa teve um lucro de cerca de 200 milhões de euros e “os custos com os salários dos administradores atingiram os 3,7 milhões de euros, isto é, aumentaram mais de 30 por cento”.

A greve, que começa às 0h de segunda-feira na refinaria de Sines e às 6h na refinaria de Matosinhos, abrange todas as empresas do grupo Galp Energia.

Greves nos Portos durante cinco semanas

Apesar do Governo ter assinado um acordo com representantes dos operadores portuários e com sindicatos da UGT para a revisão do regime jurídico do trabalho portuário, a Frente Comum Sindical Marítimo-Portuária mantém a greve. Vítor Dias, presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego do centro e sul de Portugal, disse à Lusa que aquele acordo “reforçou a união dos sindicatos que compõem a frente comum e tornou as pessoas ainda mais convictas na luta pelos direitos ao trabalho”.

Vítor Dias acrescenta que “estas coisas têm o condão de potenciar a vontade e a firmeza das pessoas perante as injustiças e este tipo de comportamentos”, refere que o acordo foi subscrito por “sindicatos que representam menos de 20 por cento do universo de trabalhadores portuários”, sublinhando que “enquanto o Governo não se dignar a negociar vai ter os portos inquinados”.

Refira-se que a revisão do regime jurídico do trabalho portuário poderá pôr em causa metade dos postos de trabalho dos trabalhadores portuários e o acordo assinado pela UGT corresponde a exigências da troika, segundo o governo.

O blogue dos estivadores de Aveiro denuncia que “dividir para reinar, continua a ser um princípio usado por muita gente nos dias de hoje”, salienta que “pelos governantes já é usado há muito tempo” e lamenta-se os que se “deixem comprar prejudicando outras pessoas”.

O dirigente sindical Vítor Dias diz que a greve, que se inicia nesta segunda-feira, terá especial impacto nos portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Viana do Castelo e Aveiro e frisa que “a adesão à greve anda sempre muito perto dos 100 por cento”. A exceção será o porto de Leixões, onde a maior parte dos estivadores é afeta ao sindicato da UGT.

Segundo a Lusa, a Frente Comum Sindical Marítimo-Portuária entregou pré-avisos de greve para os portos portugueses, com diferentes datas por sindicato, cobrindo um período total de 17 a 24 de setembro.

Os sindicatos dos trabalhadores portuários do Centro e Sul, que inclui Lisboa, Setúbal e Figueira da Foz, Caniçal, Sines, Aveiro e Viana do Castelo declararam greve das 0h de 19 de setembro (quarta-feira) até às 8h de dia 21 (sexta-feira).

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias convocou a greve para a totalidade dos dias 21 e 24 de setembro (de sexta-feira a segunda-feira), de acordo com os pré-avisos destinados aos portos do Continente, Madeira e Açores.

Por seu lado, o Sindicato dos Capitães, Oficiais Pilotos, Comissários e Engenheiros da Marinha Mercante declarou greve das 0h de 17 de setembro (segunda-feira) até à meia-noite de 18 de setembro (terça-feira), o mesmo período do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.

Depois do anúncio do acordo entre o Governo, patrões e UGT, o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego do centro e sul de Portugal decidiu "endurecer ainda mais a luta”, tendo emitido um pré-aviso de greve parcial nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Sines entre 29 de setembro e 22 de outubro.

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