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Gaspar diz que porta-voz do CDS fala “disparates”

Reunião do ministro das Finanças com as bancadas do PSD e do CDS/PP, que durou três horas, terá sido tensa e palco de críticas e de trocas de mimos. Clima de crise insinua-se na coligação do governo.
Gaspar disse que críticas de João Almeida foram "um disparate". Foto do site do CDS/PP

O Expresso online está a informar que a reunião do ministro das Finanças com as bancadas do PSD e do CDS/PP decorreu de forma muito tensa, com muitos deputados a questionar as medidas anunciadas por Passos Coelho na sexta-feira e desenvolvidas por Gaspar na terça-feira.

O momento mais tenso terá ocorrido quando o deputado João Almeida, porta-voz do CDS, afirmou ser frontalmente contra as mudanças na Taxa Social Única e criticou a subida do IRS anunciada terça-feira pelo ministro.

O Expresso afirma que o deputado centrista também questionou a razão por que o governo anunciou medidas que representam um aumento de receita de 5 mil milhões de euros, valor exagerado diante da flexibilização das metas do défice admitidas pela troika.

Um disparate”

Segundo relatos de deputados presentes na reunião, na resposta, Vítor Gaspar começou por classificar a intervenção de João Almeida um disparate. “Uma palavra que gelou a sala”, afirma o Expresso. Gaspar reafirmou em seguida a cartilha oficial do governo, dizendo que o aumento da TSU para os trabalhadores e a baixa para os patrões é uma medida para ajudar a criar emprego.

Vítor Gaspar terá negado que as alterações na TSU foram impostas pela troika, e garantiu que se tratou de uma opção consciente do governo.

Segundo a Sic, o deputado Miguel Frasquilho questionou como é que foi necessário um aumento tão grande de receita se a mudança do défice foi de apenas 4,5% para 5%. Gaspar terá então reconhecido que o défice real sem as medidas agora anunciadas seria de 6%.

Recorde-se que o ministro dos negócios Estrangeiros e líder do segundo partido da coligação governamental, Paulo Portas, recusou-se até agora a pronunciar-se sobre as medidas de austeridade anunciadas pelo seu primeiro-ministro, afirmando que antes queria ouvir os órgãos dirigentes do seu partido.

Do Brasil, Miguel Relvas disse que “este não é o momento para uma crise política”, no que foi interpretado como um recado para o CDS.

CDS dos Açores está contra

Também do CDS chega dos Açores uma crítica violenta às novas medidas de austeridade. Artur Lima, vice-presidente do partido, criticou o governo por apresentar medidas de austeridade altamente penalizadoras para as famílias.

"O CDS-PP nos Açores não está com o governo da República, está contra estas medidas e, obviamente, que está contra o partido a nível nacional e digo isto com a responsabilidade que tenho de até ser vice-presidente do partido a nível nacional", afirmou, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.

"Não admito que já seja só Sócrates a servir de desculpa. Ao fim de um ano ainda não sabem quantos institutos é preciso extinguir, quantas fundações é preciso extinguir, quanto é preciso cortar nos gastos intermédios do Estado? Então o que é que andaram lá fazer?", questionou.

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