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Hollande anunciou maior corte dos últimos 30 anos

O Presidente francês anunciou, neste domingo, uma “agenda para a recuperação” económica do país, com cortes e aumento de impostos a somar 33 milhões. Garantiu também que os rendimentos superiores a um milhão de euros serão taxados a 75%, “sem exceções”, embora outras rendas como as do capital fiquem de fora.
O imposto de 75% sobre rendimentos superiores a 1 milhão terá em conta “todas as outras contribuições” e será “limitado no tempo”, tendo a duração estimada de dois anos.

Numa altura em que, quatro meses depois da sua eleição, assiste a uma queda de popularidade entre a opinião pública e na imprensa, o Presidente francês garante que “escuta a impaciência” e anunciou o "maior esforço fiscal” dos últimos 30 anos. “Vou estabelecer uma agenda para a recuperação [do país]. Dois anos para pôr em prática uma política para o emprego, para a competitividade e para equilibrar as contas públicas”, afirmou François Hollande no jornal das 20h da TF1, na sua primeira entrevista televisiva depois das férias de Verão.

Hollande justificou as preocupações dos franceses com o “desemprego elevado” (três milhões de franceses), a competitividade da economia “degradada”, com os “défices consideráveis” e com o “endividamento histórico” do país. Disse, porém, que não pode "fazer em quatro meses" o que o seu antecessor, Nicolas Sarkozy, "não fez em cinco anos".

Mesmo assim, argumentou o Presidente, depois de ter assumido funções, “o Governo não perdeu tempo, agiu rapidamente”. Hollande lembrou o aumento do salário mínimo e de diversas prestações sociais, a par do congelamento do preço dos combustíveis.

Mas agora tem pela frente o objetivo de poupar 33 mil milhões de euros e por isso anunciou um plano de cortes na despesa pública na ordem dos dez mil milhões, que afetarão todos os ministérios, menos o da Educação, Justiça e Segurança. Outros 20 mil milhões terão de vir dos contribuintes e das empresas.

A promessa eleitoral de taxar a 75 por cento os rendimentos anuais superiores a 1 milhão de euros será cumprida, garantiu Hollande, afirmando que a medida será aplicada e “sem exceções”.

O imposto terá em conta “todas as outras contribuições” e será “limitado no tempo”, tendo a duração estimada de dois anos. Para o Presidente, a medida é “simbólica” e “muito importante” porque “é preciso que, num momento de dificuldade como o que a França atravessa, cada um assuma o seu papel”. “O meu objetivo é a construção de uma sociedade solidária. O compromisso que assumo é o de que os franceses possam dizer, em 2017, que vivem melhor do que em 2012”, acrescentou.

À margem deste imposto extra ficam os rendimentos provenientes de rendas do capital, montantes que poderão vir a ser taxados no âmbito de uma reforma em torno do “Imposto Solidário sobre as Fortunas”, adianta o Le Monde.

Entre as suas prioridades, Hollande destacou o combate ao desemprego. Para o Presidente, a tendência crescente desta taxa, que está já quase colada aos 10 por cento, “deve ser invertida no espaço de um ano”.

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