You are here

Contra a impostura

A mentira não é novidade deste governo, o que é novo é que toda a política governamental é um colossal embuste. A governação brutal e impostora tornará a política muito mais dura e violenta.

As medidas anunciadas por Passos Coelho são um desastre nacional que agravará drasticamente as condições de vida da esmagadora maioria da população, aumentará ainda mais o desemprego e afundará a economia do país. Mas, claramente não serão destrutivas para todos, há quem beneficie com elas: os rendimentos financeiros e de capital, o patronato das grandes empresas, que terão as suas despesas reduzidas com a diminuição das contribuições patronais para a segurança social. Ganharão, no entanto, apenas as grandes empresas, nomeadamente as do setor exportador, porque a esmagadora maioria das pequenas será duramente afetada pela acentuada redução do consumo.

Para o Estado português as medidas são desastrosas, pois as receitas continuarão a cair significativamente e, face ao afundamento económico, os juros da dívida continuarão muito elevados e o país será espoliado ainda mais.

O programa da troika lança o país na miséria e cada vez mais endividado: é o caminho da Grécia para Portugal. Como Francisco Louçã afirmou, trata-se de um “golpe de Estado económico”.

Porém, se o plano governamental é uma desgraça, o “embrulho” com que a apresentou é revelador de uma mudança de fundo no caráter da política de direita: tudo o que dizem é mentira.

Já tivemos muitos governantes que mentiam. A mentira não é novidade deste governo, o que é novo é que toda a política governamental é um colossal embuste, é uma impostura. É de tal forma, que em boa parte dos casos basta fazer a negação das afirmações para obter a verdade.

Na festa do Pontal, num recinto fechado, Passos Coelho anunciou a “recuperação económica” para 2013. A tal declaração seguem-se medidas recessivas que aprofundam a depressão económica e afastam qualquer possibilidade de recuperação, exatamente ao contrário do que o primeiro ministro tinha anunciado.

Agora, o governo diz que só apresenta estas medidas para cumprir a decisão do Tribunal Constitucional, mas pelo contrário elas não cumprem aquela decisão e são mesmo uma “afronta ao Tribunal Constitucional”, como sustenta a Associação Sindical dos Juízes Portugueses.

O governo diz também que as medidas anunciadas não aumentam os impostos, o que toda a gente vê a olho nu que é falso. Tudo o que o governo afirma é uma falsidade, pura “trapalhada relvista”.

A governação brutal e assim conduzida é a deturpação completa da democracia e vai tornar a política em Portugal muito mais dura e violenta. Não sabemos se o PS continuará a apoiar com “abstenções violentas” este caminho, mas inevitavelmente multiplicar-se-á a resistência e a indignação e a política bárbara só conseguirá ser imposta, a cacete, porque a “cenoura” não existe.

Esta é mais uma das razões pela qual temos de concluir que a indignação só por si não chega e que temos de protestar mais e mais massivamente, para mais rapidamente ser possível travar a violência e impedir que a impostura continue.

Para sábado, estão convocadas manifestações em Lisboa e no Porto, precisamos de lá estar.

Sobre o/a autor(a)

Editor do esquerda.net Ativista do Bloco de Esquerda.
Comentários (1)