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Quebec: novo governo determina fim do aumento das propinas

Após largos meses de forte contestação dos estudantes, aos quais de juntaram vários setores da sociedade, a nova ministra veio a anunciar a anulação dos aumentos das propinas de 82% em sete anos, cumprindo assim uma promessa eleitoral.
Protestos no Quebec. Foto indratarben/Flickr

Poucas horas após terem sido divulgados os resultados das eleições provinciais, a equipa do governo da nova primeira ministra, Pauline Marois, contactou a presidente do sindicato estudantil FEUQ, Martine Desjardins, e anunciou que o aumento de 82% no valor das propinas pagas em sete anos, decretado pelo Governo do Partido Liberal, seria anulado.

Pauline Marois cumpre assim uma promessa eleitoral, tendo já avançado que irá extinguir a medida introduzida por Jean Charest através de decreto ministerial, o que exclui a necessidade de uma votação no parlamento.

O aumento exponencial do valor das propinas gerou uma onda de contestação no Quebec com proporções nunca vistas, contando com o apoio de vários setores da sociedade, que ocuparam as ruas ao lado dos estudantes.

O governo então no poder, sobre o qual recaíam suspeitas de financiamento duvidoso, corrupção e ligações com a máfia, recusou-se a negociar com os estudantes e mostrou-se determinado a seguir com um conjunto de medidas que se traduziam no efetiva mercantilização da educação.

À atitude do governo, os cidadãos responderam com fortes mobilizações. Em março, abril e maio três manifestações, que contaram com a participação de mais de 200 mil pessoas, encheram as ruas do Quebec, um país que conta com uma diminuta densidade populacional.

Perante os protestos, o governo respondeu com uma forte intervenção policial e com uma política de perseguição, tendo-se tornado comuns as cargas policiais violentas, detenções e sequestros.

Para tentar conter os protestos, o governo aprovou uma lei para restringir o direito à manifestação. A nova leiveio a proibir as aglomerações a menos de 50 metros das universidades e determinou que todas as restantes manifestações com mais de 10 pessoas devem ser anunciadas à polícia com mais de 8 horas de antecedência. Quem não cumprir arrisca-se a pagar uma multa até 5000 dólares e no caso de organizações a multa ascende a 125 mil dólares. Os manifestantes que usem máscaras também podem ser multados até 3000 dólares.

Esta nova medida causou a indignação de estudantes e restante sociedade civil, que continuaram a ocupar as ruas do país.


 

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