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E já agora, Relvas também

Alberto da Ponte andou o último ano inteiro em viagens com Miguel Relvas. A única razão para Relvas nomear este cervejeiro abrazonado é ser gente “sua”, gente amiga. E Relvas quer a RTP em gente amiga, tudo o resto é irrelevante.

Sobre Alberto da Ponte já ouvi e li elogios de todo o aparelho económico-interesseiro que é esta maioria. De Lobo Xavier a Adolfo Mesquita, de Carlos Abreu Amorim a Luís Menezes, José Manuel Fernandes, António Pires de Lima, todos num uníssono que nem sequer no comité central do PCP se deve ouvir, e todos em entrevistas sucessivas numa tentativa desesperada de conseguir justificar politicamente uma nomeação feita por um fantasma chamado Relvas. João Bilhim é o acólito de hoje. Amanhã haverá outro. Mas de quem ainda não ouvi nada e é o único que tem obrigação de falar é, infelizmente, Miguel Relvas. Esta tentativa de legitimação pela secretaria é tonta porque é tentar fingir que Alberto da Ponte existe para lá de Relvas, que não existe. Lamento.

A ver se nos entendemos, a presença de Relvas no Parlamento, para prestar declarações sobre uma matéria tão grave quanto a demissão e nomeação de dois conselhos de administração da RTP, seria o mais natural porque é assim que se faz em democracia. É por isso da mais pura cobardia que o único entendimento que PSD e CDS conseguem ter por estes dias é precisamente impedir que se discuta publicamente o que Miguel Relvas anda a fazer. Porque nestas coisas mais uma vez Paulo Portas prefere atacar Relvas por recadinhos na comunicação social, e Relvas responde com fugas sobre os submarinos e é esta, precisamente esta cultura política de pato bravo que destrói toda a legitimidade da nossa democracia. Tudo às claras, desde que tudo às escuras. Por isso não se enganem, nada disto é normal mas tão só e simplesmente a maneira como um governo deste centrão age.

Alberto da Ponte existe neste meio, é um produto político deste fazer política que nada tem a ver com mérito, responsabilidade, transparência e todas os restantes gongorismos a que já retiraram valor. Alberto da Ponte andou o último ano inteiro em viagens com Miguel Relvas. Fosse na China, no Brasil ou em Angola, congressos, conferências, jantares e almoços, ele estava lá. E não estava por sentido de missão pública. Esta gente usa o altruísmo apenas quando lhes dá jeito, mais nada. Nada disto significa demasiado mas revela muito. Porque a única razão para Relvas nomear este cervejeiro abrazonado é ser gente “sua”, gente amiga. E Relvas quer a RTP em gente amiga, tudo o resto é irrelevante.

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