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Nova administração da RTP é “característica trapalhada relvista”

A CT da RTP considera que a nomeação da nova administração da RTP “tem todos os ingredientes de uma característica trapalhada relvista”. A União Europeia de Radiodifusão pronuncia-se contra a privatização da empresa e diz que não pode ser privatizada “como uma cantina”. Jornalistas da RDP defendem serviço público. Bloco requer a Relvas que dê a conhecer as propostas que tenha recebido sobre o futuro da RTP.
Miguel Relvas - Foto José Coelho/Lusa

Referindo que o Bloco “"tomou conhecimento através da comunicação social de uma proposta redigida pela SIC e pela TVI, entregue ao Governo em junho, apresentando um modelo de privatização da RTP", a deputada Catarina Martins requereu ao ministro Miguel Relvas, que tem a tutela da comunicação social, que dê a conhecer as propostas que tenha recebido sobre o futuro da RTP.

Nesta quarta feira, a comunicação social anunciou a nomeação de Alberto da Ponte, administrador da empresa de cervejas Heineken, ex-administrador da Jerónimo Martins e antigo presidente da Sociedade Central de Cervejas, para novo presidente do conselho de administração da RTP.

A Comissão de Trabalhadores da RTP pronunciou-se sobre o anúncio da nomeação de Alberto da Ponte, salientando: "Não se conhece ao gestor (...) nenhum currículo que o relacione com as áreas da cultura ou da comunicação social. Não se lhe conhece nenhum antecedente em qualquer serviço público, nestas ou noutras áreas".

A CT frisa que a indústria cervejeira "não é propriamente aparentada com o serviço público de rádio e televisão", a não ser a partir do momento "em que se queira proceder como comissão liquidatária", refere que a nomeação da nova administração "não teve em conta nem metade, nem um terço, dos critérios" considerados essenciais para os trabalhadores e conclui: "Teremos portanto pela frente um CA que não corresponde a qualquer perfil aceitável para os trabalhadores. Iremos dialogar com esse conselho de administração, por ser o que existe. Fá-lo-emos sem ilusões e sem trair os interesses dos trabalhadores".

Entretanto, os trabalhadores da RDP estiveram reunidos em plenário nesta quarta feira e tornaram público que consideram necessária uma "clarificação urgente sobre o modelo escolhido pela tutela para o futuro da RTP", nomeadamente sobre o futuro da rádio pública.

Os jornalistas da rádio pública rejeitam "eventuais modelos futuros assentes em critérios exclusivamente economicistas", frisando em comunicado: "A esse propósito, entende o plenário de jornalistas dos canais da rádio pública reforçar o apoio à defesa do serviço público que atualmente tem vindo a ser feita pela comissão de trabalhadores e outras organizações representativas dos profissionais da RTP".

A União Europeia de Radiodifusão (UER) enviou uma carta, assinada pelo presidente e pela diretora-geral da UER, ao primeiro ministro Passos Coelho onde se pronunciam contra a privatização da RTP e oferecem o apoio da UER para manter a RTP "como verdadeira estação pública segundo padrões europeus".

Na carta, os dois dirigentes da UER sublinham que "a RTP não pode ser transformada num bode expiatório" para a crise das finanças públicas, manifestam-se alarmados com as ameaças ao pluralismo, considerando que o processo de privatização poria em perigo a independência editorial e o pluralismo. Os dois responsáveis da UER manifestam-se contra a concessão defendida por António Borges, afirmando que "confiar a interesses comerciais a gestão de um património nacional valioso - um passo sem precedentes em parte alguma do mundo - poria em risco a reputação conquistada pela RTP desde 1974".

Os dirigentes da UER salientam ainda que "estações públicas não podem ser privatizadas como companhias de eletricidade ou como cantinas de pessoal", destacando que "o financiamento total da RTP - da publicidade à indemnização compensatória e a uma das taxas audiovisuais mais baixas da Europa - já está claramente abaixo da média europeia em proporção com o rendimento nacional".

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