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Eslovénia na mira da troika

A Eslovénia poderá ter que recorrer a um resgate das instituições prestamistas internacionais associadas na troika devido aos efeitos da crise bancária sobre as contas públicas e ao afundamento da economia, agravado pelos efeitos da política de austeridade.
Protesto em Ljubljana, capital da Eslovénia, em abril de 2012

O pequeno país da ex-Jugoslávia, com dois milhões de habitantes, registou no segundo semestre uma queda de 3,2 por cento do PIB em relação ao mesmo período de 2011 e sofre atualmente de um agravamento vertiginoso dos até agora relativamente controlados índices públicos. Tal como acontece em relação à Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, os juros de dívida eslovena a dez anos atingiram os níveis "vermelhos" dos sete por cento apesar de a dívida pública corresponder a 50 por cento do PIB, situação que não assume nem de perto nem de longe gravidade de Itália e da Grécia, por exemplo. O que preocupa o governo e os economistas é a aceleração da degradação da dívida, que em 2007 era 30 por cento do PIB, como resultado da deterioração económica desencadeada pela crise financeira de 2009, ano em que a explosão da "borbulha imobiliária" provocou um recuo do PIB em oito por cento.

Em Junho, o chefe do governo de direita, Janez Jansa, ameaçou com a possibilidade de um "cenário à grega" para impor medidas de austeridade do mesmo tipo das que se tornaram vias de sentido único em outros países da Zona Euro: cortes de salários, despedimentos na administração pública, cortes nos serviços sociais. A razão invocada foi a necessidade de efetuar cortes de 800 milhões de euros de modo a combater um défice público que cresceu rapidamente para 6,4 por cento PIB devido à necessidade de injectar dinheiros públicos nos principais bancos do país.

A sobreposição das medidas de austeridade à situação existente afetou a economia de forma dramática reduzindo o consumo a níveis mínimos, diminuindo as exportações (o principal sector da economia) e aumentando o desemprego, que estando ainda em 8,1 por cento, abaixo da média da União Europeia, cresceu muito rapidamente nos últimos meses e continua a agravar-se.

O recurso a um resgate é o cenário cada vez previsível na Eslovénia. O valor envolvido, cerca de mil milhões de euros, não é muito significativo comparado com outras verbas que asfixiam países de maior envergadura, mas far-se-á sentir da mesma maneira sobre o povo esloveno e será um novo fator a testemunhar a crise do euro e o seu agravamento decorrente das políticas de austeridade.

Antes disso, o primeiro ministro comporta-se como se a troika já tivesse chegado a Ljubliana. Anunciou para as próximas semanas novos ataques às pensões sociais, a subida do IVA e, como se tornou norma obrigatória em toda a União Europeia, a aceleração da "a liberalização do mercado de trabalho".

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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