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Homicídios conjugais disparam em 2012

Desde o início do ano em Portugal, a cada mês que passa são assassinadas três mulheres pelos atuais ou ex-companheiros. O número já ronda o total de vítimas do ano passado e só na última semana houve mais quatro vítimas.
Foto de Paulete Matos

Os homicídios conjugais estão a disparar este ano e só no primeiro semestre foram mortas 20 mulheres com recurso a violência extrema às mãos dos seus namorados, maridos ou ex-companheiros. "Vinte casos no primeiro semestre deste ano é muito se considerarmos que em todo o ano de 2011 houve 27 mulheres assassinadas", disse ao Diário de Notícias a psicóloga Cecília Loureiro, colaboradora da União de Mulheres Alternativa e Resposta, onde funciona o Observatório de Mulheres Assassinadas.

Se o primeiro semestre confirmou a tendência para o aumento destes crimes, a época do verão  indica que o número de vítimas do ano passado poderá ser ultrapassado em breve. A acrescentar aos dados do Observatório, o Correio da Manhã junta-lhe uma mulher de 47 anos assassinada a tiro pelo marido a 15 de julho em Lisboa e um outro assassínio cometido a 15 de agosto na Marinha Grande, com a vítima de 50 anos a ser baleada na cabeça pelo ex-marido.

Desde o passado sábado, a cifra elevou-se a 26 mulheres assassinadas desde o início do ano por atuais ou ex-companheiros, com mais quatro homicídios em que a idade das vítimas ronda os 50 anos: em Lagos, a vítima levou cinco tiros do ex-marido; em Boticas, o marido baleou-a na cara, em Gaia o namorado matou-a com dois tiros; e em Olhão a vítima foi encontrada com as mãos amarradas e as marcas no crânio indicam que terá sido morta com um martelo.

Para João Lázaro, da Associação de Apoio à Vítima, a subida deste tipo de homicídios no verão pode explicar-se "por haver mais tempo do agressor e da vítima em casa e daí haver mais violência". O diretor da APAV acrescentou à Lusa que "a pressão económica e a falta de trabalho são situações que podem proporcionar mais um fator que leva à agressão e aos atritos". Para além disso, Lázaro sublinha que "os crimes estão a tornar-se mais violentos, as metodologias estão mais violentas e isso reflete-se na área da violência doméstica", disse.

A contagem das vítimas destes homicídios não é unânime. Por exemplo, aos 27 casos denunciados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas em 2011, a Polícia Judiciária acrescenta mais 13, ainda segundo o DN, ao incluir também as mortes onde a motivação foi o ciúme ou a paixão não correspondida, para além do contexto conjugal ou de violência doméstica. A psicóloga da PJ Cristina Soeiro disse ao DN que nos últimos três anos se fez um estudo policial que definiu quatro perfis dos autores de homicídios conjugais e no fim deste mês o tema será objeto de debate no seminário "Morrer no Feminino: da Prevenção à Intervenção", a decorrer na Escola da PJ em Loures.

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