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Governo espanhol injecta 4.500 milhões no Bankia

O aumento do capital do Bankia, “com carácter imediato”, é assegurado pelo Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB) e antecipa a injecção de capital a realizar pelo fundo no quadro da assistência financeira acordada com a zona euro.

Ainda não é conhecido o montante final necessário para a reestruturação do grupo BFA-Bankia. O governo espanhol irá anunciar a quantidade total de dinheiro a ser injetada no sistema bancário apenas no final da auditoria promovida pela consultora Oliver Wyman ao sistema financeiro do país, que deverá estar concluída até finais de setembro.

Na sexta feira, o Bankia anunciou perdas na ordem dos 4.400 milhões de euros no primeiro semestre, após ter sido forçado a fazer provisões de 2.700 milhões de euros contra maus empréstimos imobiliários. O Bankia viu, segundo adianta o New York Times (NYT), o rácio de empréstimos problemáticos crescer de 7,6%, valor relativo ao final do ano passado, para 11% em junho de 2012.

Segundo noticia o El Pais, o volume dos ativos considerados “potencialmente problemáticos” procedentes do sector construtor e promotor imobiliário disparou no primeiro semestre em 19.000 milhões e já ascende a 75.000 milhões, apenas nos quatro bancos nacionalizados - BFA-Bankia, CatalunyaBanc, NCG Banco e Banco de Valencia. Desse valor, estão cobertos ou aprovisionados 30.000 milhões, sendo que o restante - 45.000 milhões - corresponde às necessidades de capital dos bancos que levaram a Espanha a pedir financiamento externo. Em todo o sector financeiro, o volume dos ativos considerados “potencialmente problemáticos” é de 180.000 milhões de euros, conforme notícia o NYT.

Este aumento exponencial dos ativos tóxicos parece confirmar, segundo o El Pais, as suspeitas de organismos internacionais e avaliadores independentes de que, por um lado, existem várias irregularidades ocultas, mediante o refinanciamento de empresas imobiliárias insolventes e, por outro, de que os bancos classificavam os créditos imobiliários como correspondentes a outros setores, esquivando-se assim à vigilância imposta aos ativos desses sectores.

O Bankia, então presidido por Rodrigo Rato, antigo ministro da Economia de Aznar e posteriormente diretor geral do FMI, até 2007, foi parcialmente nacionalizado a 9 de maio.
 

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