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Angola: Denúncias de irregularidades marcam campanha eleitoral

À medida que se aproxima o dia das eleições, marcadas para a próxima sexta-feira, aumentam as críticas à Comissão Nacional Eleitoral, acusada de parcialidade a favor de Eduardo dos Santos.
Sem observadores internacionais e com a contagem dos votos a ser entregue aos militares, a máquina do MPLA prepara-se para celebrar a vitória em mais uma eleição contestada pela oposição.

A oposição angolana continua a denunciar irregularidades no processo eleitoral. As críticas são dirigidas à Comissão Nacional Eleitoral (CNE), considerada cúmplice do partido do poder, o MPLA, acusada de se recusar a credenciar observadores membros de associações cívicas e de permitir o abuso da propaganda do Estado a favor do partido de Eduardo dos Santos.

Este domingo, um comissário eleitoral indicado pelo Partido de Renovação Social (PRS) em Cambudi-Catembo, na província de Malanje, chegou a ser detido durante três horas por reclamar do desaparecimento de urnas e boletins de voto. Segundo o site Maka Angola, "um helicóptero, com tripulação do leste europeu, chegou à sede do município ao meio-dia e procedeu ao embarque de várias caixas com urnas e boletins de voto, sem que os comissários indicados pela oposição tivessem sido notificados". Ao apontar a matrícula do helicóptero, o comissário foi imediatamente detido por agentes policiais.

A recusa de credenciação atinge também os observadores internacionais, mesmo os convidados pela própria CNE. É o caso de duas figuras próximas da Unita em Portugal e fundadores do PSD, que já foram observadores nas primeiras eleições multipartidárias angolanas em 1992. Maria João Sande Lemos e António Vilar viram agora as autoridades diplomáticas angolanas recusar-lhes o visto de entrada no país, divulgou o Maka Angola.

Manifestação pediu adiamento das eleições

No sábado, milhares de pessoas participaram numa manifestação em Luanda, convocada pela Unita e apoiada por outros partidos da oposição angolana em protesto contra as fraudes na organização das eleições. Isaías Samakuva defendeu o adiamento da eleição por um mês e quer que os votos sejam contados no local da votação, com ata assinada pelos representantes dos partidos presentes. E criticou o Governo por recusar a emissão de vistos aos observadores estrangeiros, nomeadamente da União Europeia, que «manda gente para todo o lado, mas não mandou para Angola», afirmou Samakuva, citado pelo Jornal Digital.

Por seu lado, o Jornal de Angola criticou a "manifestação fracassada" da oposição, enaltecendo a polícia por evitar tumultos nas ruas de Luanda. No mesmo artigo falou do "milagre" conseguido por Eduardo dos Santos ao juntar "mais de 100.000 pessoas" num comício em Menongue e reafirmou que "tudo está a correr bem" na preparação das eleições de sexta-feira, a propósito duma visita do presidente da CNE às comissões provinciais.  

A contagem dos votos é outra das preocupações da oposição, que soube da intenção do Governo de instalar dois centros de escrutínio em Luanda, depois de em 2008 a contagem dos votos ter ficado sob a alçada de oficiais da Casa Militar da Presidência. O site Club-K afirma que a questão levanta suspeitas de ilegalidade, dado que a lei prevê a existência de um diploma da CNE a definir a organização desses centros, assegurando a presença dos partidos concorrentes. Ao invés, a CNE terá realizado um concurso para entregar a organização da contagem a um consórcio onde está presente um general da Casa Militar.

Greve desconvocada na Rádio Nacional de Angola

Entretanto, a greve convocada para a passada sexta-feira na Rádio Nacional de Angola acabou por ser desconvocada na mesma madrugada, após o minitro da Economia ter enviado uma proposta de negociações formais aos trabalhadores.

“À meia-noite, a comissão sindical recebeu uma proposta formal de negociação do ministro da Economia, Abrahão Gourgel, em que comprometia o governo a garantir a segurança social e o seguro dos trabalhados, através da ENSA (Empresa Nacional de Seguros de Angola)”, explicou o representante do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, citado pelo Maka Angola. Como contraproposta, os trabalhadores baixaram a exigência de aumentos salariais para 150%, em vez dos 300% inicialmente exigidos.

Logo pela manhã, dezenas de trabahadores juntaram-se à porta da emissora, antes de serem informados da desconvocação da greve, vigiados de perto por dezenas de polícias, "incluindo a brigada canina e agentes da intervenção rápida". O Maka Angola diz que um transeunte acabou por ser atacado por um dos cães, quando estava a tirar fotografias do protesto dos jornalistas. Após informada dos motivos da concentração, a comandante da polícia presente mandou retirar o efetivo policial.  

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