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Mãe diz que Assange ‘não vê a luz do dia’

Christine Assange apela ao governo britânico para que anule a ordem de extradição e aos cidadãos do país a que exijam que esta seja abandonada. E diz que o seu filho e o presidente do Equador “compartilham os seus valores mais profundos.” Por Paúl Mena Erazo, da BBC Mundo, Equador
Christine Assange e o presidente Rafael Correa. Foto da Presidência do Equador

O australiano Julian Assange, fundador da Wikileaks, está refugiado desde junho na embaixada do Equador, país ao qual pede asilo político, em Londres.

Da capital do país, Quito, Christine falou à BBC.

Como o seu filho, ela também acredita que a decisão da Justiça britânica de extraditá-lo para a Suécia – onde é acusado de crimes sexuais – é motivada politicamente.

Ambos suspeitam que, da Suécia, seria enviado aos EUA onde o governo investiga possíveis crimes cometidos com a divulgação de dezenas de milhares de documentos pela Wikileaks há quatro anos.

Ela já se encontrou com o presidente do Equador, Rafael Correa, o ministro das Relações Exteriores, Raúl Patino, entre outras lideranças do país.

Como está o seu filho na embaixada do Equador em Londres? Visita-o com frequência?

Não, deixei de Londres pouco antes de ele buscar refúgio lá. Mas conversamos por telefone e ele diz que está a ser muito bem tratado pelos funcionários da embaixada.

O ministro dos Negócios Estrangeiros perguntou-me se havia algo mais que pudesse ser feito para melhorar a vida do meu filho, ao contrário do ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, que fez todo o possível para entregá-lo aos EUA.

Mesmo assim, a embaixada é pequena e ele não pode sair ao sol. Preocupo-me com a sua saúde, como com a de qualquer um que estivesse trancado, sem ver o sol, fazer exercício ou sentir a luz do dia. Mas as coisas são assim, não por culpa do governo do Equador e sim do britânico, sueco e do australiano.

A embaixada tem sido muito amável, permitindo visitas diárias de amigos e simpatizantes. Alguns estimulam-no a ouvir música, para que dance, faça exercícios.

Acho que ele tem uma esteira para correr e faz exercícios em frente a uma janela para ver um pouco do sol.

Se o asilo for concedido a senhora também viveria no Equador?

Isto teria de ser decidido quando acontecer, no momento, damos um passo de cada vez. Várias coisas estão a acontecer internacionalmente relacionadas com o caso de meu filho. Conheço muitos britânicos descontentes com o sistema europeu que regulamenta as ordens de prisão.

De facto, é possível ao governo britânico anular essa ordem ridícula de extradição. Se fizeram isso com Pinochet, um ditador assassino, creio que deveriam fazer o mesmo para um premiado jornalista que não fez nada mais do que ser honesto com o mundo.

Desta forma, pediria aos legisladores britânicos que examinem as suas consciências e deixem de lado as suas ambições políticas. E também pediria aos cidadãos do país que cogitem apoiar o meu filho, exigindo que esta extradição seja abandonada.

Acredita que o governo do Equador lhe concederá o asilo?

Não seria atrevida a ponto de dizer o que um presidente eleito vai decidir.

A senhora cumpriu os objetivos que tinha ao ir ao Equador?

Sim, acredito que sim. Os equatorianos tem apoiado Julian e sido muito gentis comigo e com a minha família.

O presidente, os seus ministros e equipa têm-me escutado detalhadamente e feito muitas perguntas. O que é muito mais do que tem sido feito pelos governos britânico, australiano e sueco.

O presidente Correa assumiu compromissos?

Não e se tivesse, não os revelaria publicamente porque são discussões privadas. O presidente anunciará qualquer decisão que tome quando julgar conveniente.

Acredita que o seu filho e os seus simpatizantes tragam vantagens políticas para Correa?

A filosofia usada por Julian para comandar a organização Wikileaks é a mesma usada por Correa para governar o Equador.

Ele ratificou a Constituição do país por referendo e ela é baseada em direitos humanos, responsabilidade, soberania e justiça.

Assim creio que os dois compartilham os seus valores mais profundos.

O que acha dos que dizem que há uma contradição entre Julian Assange, considerado uma pessoa que divulga informações e Correa, criticado por sua atitude em relação aos meios de comunicação, não falando com alguns deles?

Eu também não falo com todos os meios e me dou muito bem com meu filho.

Muita gente tem cuidado com os meios com os quais falam porque desejam a verdade e outros (meios de comunicação) não.

Não é interessante falar com os que não querem.

A senhora pensa voltar ao Equador para acompanhar o seu filho se ele receber asilo?

Voltaria ao Equador de qualquer forma, este é um grande país. Não tinha ideia do quanto era bom antes de vir aqui.

Nunca tinha estado na América Latina ou lido muito sobre ela, mas as pessoas são amáveis, genuínas, valentes e tem bons governos, muito melhores do que tenho no meu país. Politicamente é muito interessante.

Tem uma paisagem linda, comida boa, um ótimo clima. Por que não voltaria?

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