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Chamusca: O “mistério” da radioatividade desaparecida em 24h no Eco Parque do Relvão

Em resposta ao Bloco de Esquerda, o Ministério do Ambiente diz que no dia 29 de novembro de 2011 foi recusada a entrada de um camião no Cirver Sisav em virtude dos níveis de radioatividade registados e que os mesmos resíduos entraram no dia seguinte no Cirver Ecodeal, não se tendo registado qualquer nível de radiação. O Bloco exige transparência e que as regras e normas ambientais sejam respeitadas e cumpridas.
O Bloco de Esquerda continuará a insistir junto do Ministério do Ambiente para “obter respostas a perguntas ainda não respondidas”, como sejam a origem da carga com níveis de radioatividade, a natureza daquela substância e quais as garantias de que não houve nenhum perigo para a saúde das populações, entre outras” -Ecoparque do Relvão (Chamusca)

A questão surgiu após ter sido recusada a entrada de um camião no Centro Integrado de Recuperação e Valorização de Resíduos (Cirver) explorado pela empresa Sisav, integrado no Eco-Parque do Relvão, (complexo industrial de receção, tratamento, reciclagem e armazenamento de resíduos sólidos urbanos e industriais, banais e perigosos), localizado na freguesia da Carregueira, concelho da Chamusca. Em causa, estiveram os níveis de radioatividade registados no pórtico e no detetor portátil das instalações do Cirver explorado pela Sisav.

Em declarações à agência Lusa, Duarte Arsénio, da concelhia do Bloco de Esquerda da Chamusca, disse que “o ministério do Ambiente confirmou os níveis de radiação à entrada deste Cirver”.

“O problema reside no facto de que os mesmos resíduos que não puderam entrar no Cirver da Sisav num determinado dia, terem dado entrada no Cirver da Ecodeal [o outro Cirver localizado no mesmo eco parque], 24 horas depois”, não se tendo registado, então, qualquer nível de radiação, afirmou Duarte Arsénio.

Para o dirigente concelhio do Bloco, “é óbvio que não foi feita qualquer inspeção ou medidos os níveis de radioatividade da carga” que ali deram entrada.

Duarte Arsénio frisa que o Bloco de Esquerda “não tem nada contra o Eco Parque, mas exige que os processos e os resíduos que ali são depositados sejam mais transparentes e que as regras e normas ambientais sejam respeitadas e cumpridas”, manifestando-se preocupado pela eventual contaminação dos lençóis freáticos e dos afluentes que chegam ao rio Tejo.

A questão foi suscitada pela pergunta feita pelo deputado Luís Fazenda em 19 de janeiro de 2012 ao Ministério do Ambiente (“Alegadas deficiências graves no Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos”) e por nova pergunta feita a 25 de maio de 2012 (“Resposta do operador sobre proveniência e destino finais de substâncias radioativas recusadas no Eco Parque do Relvão”). O ministério do Ambiente respondeu que no dia 29 de novembro de 2011 foi recusada a entrada no Cirver Sisav em virtude dos níveis de radioatividade registados no pórtico e no detetor portátil daquelas instalações e que os mesmos resíduos deram entrada no dia 30 de novembro de 2011 no Cirver Ecodeal, não se tendo registado qualquer nível de radiação.

Duarte Arsénio diz que o Bloco vai voltar a insistir junto do Ministério do Ambiente para “obter respostas a perguntas ainda não respondidas”, como sejam a origem da carga com níveis de radioatividade que foi recusada no Cirver Sisav e aceite no Cirver Ecodeal, a natureza daquela substância e quais as garantias de que não houve nenhum perigo para a saúde das populações, entre outras”.

O deputado Luís Fazenda já voltou a questionar novamente o Ministério do Ambiente no dia 24 de julho de 2012 (Proveniência de substâncias alegadamente radioativas admitidas no Civer Ecodeal), perguntando se o ministério tem “informações sobre a origem da carga com níveis de radioatividade que foi recusada no Cirver Sisav e aceite no Cirver Ecodeal”, se tem “informações sobre a natureza desta substância” e se pode “garantir que não houve nenhum perigo para a saúde das populações”.

Mais informações no site da distrital de Santarém do Bloco de Esquerda – santarem.bloco.org (aqui e aqui).

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