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NASA regista degelo sem precedentes na Gronelândia

Cientistas chegaram a duvidar da veracidade das imagens de satélites que mostram que uma enorme parte da camada de gelo da ilha desapareceu em apenas quatro dias, um fenómeno nunca antes visto. Artigo de Fabiano Ávila publicado em Instituto CarbonoBrasil.
Imagens de satélites que mostram a Gronelândia entre os dias 8 e 12 de julho e registam que o degelo saltou de 40% para 97% neste curto período.

“Isto é tão extraordinário que a princípio eu questionei os resultados: é mesmo real ou a leitura está errada?”, afirmou Son Nghiem, investigador da agência espacial norte-americana (NASA).

O que levou Nghiem e outros cientistas a duvidarem do que estavam a ver foram imagens de três satélites que mostram a Gronelândia entre os dias 8 e 12 de julho e registam que o degelo saltou de 40% para 97% neste curto período.

É comum que a Gronelândia perca boa parte do gelo durante o verão, porém nunca antes havia sido registado um degelo tão rápido e extenso. A média das últimas três décadas é de 55%.

“Literalmente uma onda de calor varreu a região e derreteu tudo pelo caminho”, explica Tom Wagner, da NASA.

Outros centros de investigação foram consultados e todos confirmaram os dados da agência norte-americana.

“O degelo extremo coincide com uma série de ondas de ar quente, descritas como ‘redomas de calor’. Cada uma dessas ondas tem sido mais forte do que a anterior”, destacou Thomas Mote, da Universidade da Geórgia.

Este foi o segundo evento raro visto na Gronelândia nos últimos dias. Na semana passada um iceberg de 119 quilómetros quadrados, duas vezes o tamanho de Manhattan, desprendeu-se do glaciar de Petermann. (ver notícia em Instituto CarbonoBrasil)

O verão de 2012 está tão intenso, que mesmo na área ao redor da chamada Estação de Encontro, que fica mais de dois quilómetros acima do nível do mar, existem sinais de degelo, algo que não acontecia desde 1889.

“Houve períodos em que o degelo pode ter ocorrido a essa altitude, mas apenas por um ou dois dias. Agora, um derretimento com essa extensão, por toda a Gronelândia, era desconhecido, com certeza nunca havia acontecido desde o início da monitorização por satélites”, salientou Jay Zwally, glaciologista da NASA, em entrevista ao jornal “The Guardian”.

Os investigadores não podem determinar se o degelo foi resultado de um raro evento natural ou das mudanças climáticas. Mas o que afirmam com certeza é que a camada de gelo está a ficar mais fina a cada ano devido ao aquecimento global.

“Quando vemos um fenómeno assim, nunca observado antes, somos obrigados a parar e pensar: o que está a acontecer? É um sinal que temos que analisar e entender nos próximos anos”, declarou Waleed Abdalati, chefe dos investigadores da NASA.

Artigo de Fabiano Ávilapublicado em Instituto CarbonoBrasil.

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