You are here

Garzón: “há uma clara intenção política” por trás do processo contra Julian Assange

O juiz espanhol Baltasar Garzón, atualmente proibido de exercer magistratura, vai liderar a equipa de defesa de Julian Assange. A nova estratégia de defesa passa por "defender tanto o WikiLeaks como Julian Assange do atual processo de abuso e expor as ações arbitrárias extrajudiciais do sistema financeiro internacional".
Foto de Mattie TK

O ex magistrado da Audiência Nacional Baltazar Gárzon assume que a situação de Assange “ não é a melhor”, adiantando que tal decorre do facto de existir “uma clara intenção política” por trás de todo o processo.

Assange “respeita a ação da justiça”, contudo, existe “uma grande preocupação sobre o que vai acontecer, já que a sua situação está a ser manipulada para uso político, em virtude do grande trabalho que ele fez com a sua organização para denunciar o abuso das corrupções”, adiantou.

"Isso, desde logo, não pode ser a causa de um processo que, a todas as luzes, e creio que podemos demonstrá-lo, é arbitrário e carece absolutamente de base, sublinhou ainda.

Baltasar Garzón vai também tentar "demonstrar como os processos dos serviços secretos norte-americanos contra Julian Assange e o WikiLeaks comprometeram e contaminaram outros processos legais, incluindo o processo de extradição contra Assange".

Gárzon, que não quis adiantar o conteúdo da defesa jurídica, frisou também que “obviamente, está em causa não só o seu futuro [de Assange] como também a sua estabilidade física e psíquica” e que é “de justiça que Assange seja amparado nos seus direitos como qualquer cidadão.

Baltasar Gárzon dirigiu-se às autoridades de países como a Inglaterra e a Suécia, lembrando que Assange “é só uma pessoa e não parece muito adequado que exista qualquer pressão de governos quanto à sua situação”.

O ex magistrado da Audiência Nacional entende que “a situação em que se encontra Assange é incompreensível para a maioria das pessoas que têm conhecimento da mesma”, sendo que o fundador da Wikileaks está em condições que atentam a todos os direitos humanos.

Assange encontra-se desde 19 de junho na embaixada do Equador em Londres, tentando obter asilo político daquele país da América Latina.

O pedido de recurso de Assange face à decisão do tribunal de primeira instância e do Tribunal Superior [High Court], no sentido da sua extradição par a Suécia, foi rejeitado. Caso o fundador do WikiLeaks seja extraditado para a Suécia o mais certo é ser extraditado para os Estados Unidos para ser julgado por espionagem pela publicação de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)