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Um Verão de incêndios que já lamentamos

Nos primeiros 19 dias de julho já ocorreram mais de 1700 fogos. Agora o que interessa é proteger as populações e garantir que existem meios para o combate às chamas, mas em ano de seca os incêndios são expectáveis e, por isso, desde maio que o Bloco tem alertado para a necessidade de prevenção.

Nos últimos dias vimos as impressionantes imagens dos incêndios na Madeira e no Algarve que nos tocam e nos obrigam a toda a solidariedade para com as populações que sofrem e para com as bombeiras e os bombeiros que estão no teatro de operações (ver ocorrências aqui).

Para além das populações ameaçadas pelo fogo, do perigo que ameaça suas casas e os seus locais de trabalho, os incêndios florestais destroem ainda anualmente milhares de hectares de florestas, arruinando ecossistemas inteiros que demoram décadas a recuperar.

Infelizmente pouco se aprendeu com os incêndios de 2003, 2004 e 2005 em que arderam mais de 850 mil hectares de floresta, ou seja, cerca de 10% da área total do país. Estudos de vários especialistas dão conta que os custos sociais dos incêndios de 2003 ascenderam a mais de mil milhões de euros e passados cerca de 10 anos voltamos a ter florestas com pouca ou nenhuma gestão florestal e com muito combustível acumulado. Para fechar o triângulo do fogo basta termos um Inverno seco e atividades humanas que iniciem os incêndios.

A única maneira de diminuir a ocorrência de incêndios é, como se sabe, apostar na prevenção, sensibilizando as populações e realizando um ordenamento florestal que reduza a probabilidade de ocorrência de incêndios e que melhore o seu combate. Depois, durante a fase crítica dos incêndios florestais, o mais importante é ajudar na deteção dos fogos para que estes não se tornem incontroláveis.

Assim, e se bem que o Ministério da Administração Interna tenha posto em marcha um dispositivo de combate que parece ser adequado e que custará mais de 70 milhões de euros – 45 milhões dos quais para meios aéreos – o Ministério da Agricultura e do Ambiente não foi suficientemente diligente e demorou quase um ano atribuir a responsabilidade da pasta das florestas, para além de retirar mais de 174 milhões de euros do setor florestal para a agricultura.

Agora o que importa é ajudar no combate aos fogos, proteger as populações e garantir que as bombeiras e os bombeiros têm meios para realizar o seu trabalho, mas passada a fase crítica dos incêndios é necessário chamar à razão a Ministra Assunção Cristas para que aposte na prevenção e para que veja os resultados do desordenamento florestal e que, com essa lição, abandone por fim o sinistro plano de oferecer a floresta portuguesa aos interesses do lóbi do eucalipto e da pasta do papel.

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro e mestre em políticas públicas. Dirigente do Bloco.
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