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Mudanças climáticas ameaçam recifes de corais, dizem cientistas

No 12º Simpósio Internacional de Recifes de Corais, cerca de 2,6 mil especialistas lançaram uma declaração afirmando que o aquecimento global e os seus efeitos estão a prejudicar estes organismos, muito importantes para o equilíbrio dos ecossistemas marítimos. Por Jéssica Lipinski do Instituto CarbonoBrasil
Grande Barreira de Corais – Foto de Paul from www.Castaways.com.au

Aumento das temperaturas marinhas, acidificação dos oceanos, sobrepesca, destruição de habitats e poluição: tudo isso está a levar à destruição de recifes de corais em todo o mundo, declararam investigadores marinhos no 12º Simpósio Internacional de Recifes de Corais, que está a ser realizado na cidade australiana de Cairns, perto da Grande Barreira de Corais.

“Temos uma perfeita tempestade de fatores de stress em muitos lugares que realmente estão a prejudicar recifes pelo mundo todo. É uma situação muito séria”, alertou Jane Lubchenco, diretora da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA.

No encontro, cerca de 2,6 mil cientistas lançaram uma declaração confirmando essa afirmação, e pedindo por ações mais concretas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa (GEEs), grandes responsáveis por muitos dos problemas que atingem os recifes.

“A Comunidade Científica Internacional dos Recifes de Corais pede que todos os governos garantam o futuro dos recifes de corais através de uma ação global para reduzir as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito de estufa, e através da melhoria da proteção local dos recifes de corais”, diz a declaração.

“O dióxido de carbono que colocamos na atmosfera continuará a ser absorvido pelos oceanos por décadas. Levará muito tempo antes que possamos estabilizar e reverter a direção da mudança simplesmente porque é uma grande atmosfera e é um grande oceano. O mundo, os seus recifes de corais e milhões de pessoas que dependem deles precisam de ações mais ousadas”, acrescentou Lubchenco.

Para muitos especialistas em ciência climática, os GEEs são os principais causadores das mudanças climáticas, que, entre outros problemas, levam à elevação das temperaturas marítimas e a acidificação dos oceanos.

Ambas são responsáveis pelo branqueamento dos corais, processo que enfraquece estas formações, o que pode levar a uma extinção marinha em massa, já que os corais são essenciais para cerca de 25% das espécies marítimas.

Além da diminuição da biodiversidade, os danos aos corais também poderão acarretar em perdas para o ser humano, já que estudos estimam que os recifes fornecem serviços ecossistémicos que geram entre 170 mil milhões de dólares e 375 mil milhões no mundo todo.

Além disso, o aumento das temperaturas oceânicas e a acidificação marinha também afetam diretamente outros animais, causando a má formação das estruturas calcárias de diversas espécies de moluscos e modificando o comportamento e o organismo de vários peixes.

“Estamos começando a descobrir as formas como a mudança química dos oceanos afeta muitos comportamentos. Então o salmão não conseguir achar os seus fluxos [hídricos] natais porque o seu olfato foi prejudicado é uma possibilidade bem real”, comentou a diretora da NOAA.

Anteriormente, acreditava-se que esse CO2 absorvido pelos oceanos seria diluído por toda a água do mar. Recentemente, porém, investigadores descobriram que ele costuma se concentrar nas superfícies, o que faz com que esses problemas se tornem mais intensos.

“Estas águas superficiais estão a mudar muito mais rapidamente do que os cálculos iniciais sugeriam. É ainda outra razão para estarmos muito seriamente preocupados a respeito da quantidade de dióxido de carbono que está na atmosfera agora e da quantidade adicional que continuamos a emitir”, alegou Lubchenco.

Por fim, os cientistas chamaram a atenção para a disseminação deste problema, e enfatizaram a necessidade de uma ação rápida. “Pelo menos 25% dos recifes de corais do mundo foram degradados. Por causa da origem global das mudanças climáticas, a única forma de combater isso é através de um esforço mundial”, observou Steve Palumbi, organizador da declaração.

“Há uma janela de oportunidade para que o mundo aja sobre as mudanças climáticas – mas ela está a fechar-se rapidamente”, concluiu Terry Hughes, diretor do Centro ARC em Excelência para Estudos de Recifes de Corais.

Artigo de Jéssica Lipinski do Instituto CarbonoBrasil

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