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Espanha tem mais um ano para cumprir metas do défice, Portugal não

Espanha vai receber, já este mês, 30 mil milhões de euros para recapitalizar a banca e, em contrapartida, “acolhe” a missão da troika de três em três meses. Com mais austeridade a caminho, Espanha vai ter mais um ano para cumprir a meta de 3 por cento no défice, ao contrário de Portugal aonde o programa da troika fica como está.
O ministro da economia de Espanha, Luis de Guindos, e o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, cumprimentam-se numa reunião dos ministros das Finanças em Bruxelas.

Os ministros das Finanças da zona euro acordaram, esta terça-feira, os termos do empréstimo a conceder à Espanha e anunciaram que os primeiros 30 mil milhões de euros para recapitalizar a banca seguem já este mês.

Em contrapartida, a troika vai enviar missões trimestrais a Madrid, exige um programa de ajustamento mais severo e assume poderes sobre a supervisão do sistema financeiro. A Espanha torna-se assim, de facto, o quarto país resgatado pela missão conjunta da Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu.

O acordo para o memorando de entendimento surge dois dias depois do Governo, contrariando todas as promessas de Rajoy na recente campanha eleitoral, ter anunciado o aumento do IVA. O vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pelos Assuntos Económicos, Olli Rehn, garante que Espanha  "vai cumprir integralmente" o novo programa e não descartou que, entre as exigências de Bruxelas, estejam medidas como o corte nas reformas ou nos subsídios de desemprego.

No mesmo dia em que o presidente do Banco Central Europeu recusou um ajustamento do programa da troika para Portugal, dizendo que “o progresso é evidente” e que a consolidação orçamental está a funcionar, os ministros das Finanças da zona euro concederam mais um ano para a Espanha cumprir as metas do défice. Assim, a meta do défice no país vizinho será de 6,3 por cento este ano, 4,5 em 2013 e de 2,8 por cento em 2014.

Apesar da derrapagem de 2000 milhões de euros na execução orçamental para 2012, o programa da troika para Portugal parece permanecer imutável. Insistindo que Portugal é um caso diferente, e portanto não precisa dos novos prazos concedidos a Espanha, Vtor Gaspar diz que a “próxima missão da troika vai a Portugal procurar formas de favorecer o programa português”. As declarações do ministro das Finanças contrariam todas as reações dos responsáveis europeus, nomeadamente do Banco Central Europeu. 

"O ministro das Finanças, mais uma vez, escolheu não defender os interesses de Portugal numa reunião europeia. Quando é claro que o programa da troika não está a funcionar, e já é responsável pelo aumento do desemprego e derrapagem nas contas públicas, Vítor Gaspar insiste no mesmo programa que nos trouxe até esta crise”, comentou o deputado do Bloco, Pedro Filipe Soares. 

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