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Austeritarismo versus democracia

Estamos perante um sistema repressivo que usa o desemprego como chantagem e a austeridade como arma.

A conjuntura atual exige uma viragem à esquerda, num momento tão peculiar da luta de classes onde a unidade é fundamental, face à brutal ofensiva do capital sobre o trabalho. Tal, só é possível com uma força de esquerda plural transmissora de sinergias para modificar a correlação de forças e impedir o saque aos contribuintes de uma dívida alheia. Esta deve ser a postura política da esquerda alternativa e a consolidação da estratégia contra os ataques da direita tecnocrata à esquerda democrática.

Contudo, esta atitude será infrutífera se não for acompanhada pela luta no terreno com os movimentos sociais e no combate à informação subversiva manipuladora de massas. O mundo laboral já ferido e refém de leis ultraliberais, foi vítima de mais um duro golpe assinado por Cavaco Silva, tudo em nome de políticas que não promovem o crescimento, mas extravasam na exploração, enquanto o estado social fica moribundo condenado à pena capital.

A burguesia capitalista nesta versão mais reacionária tornou-se mais agressiva e em especial, mais ofensiva contra os trabalhadores. Por isso, a nossa resposta tem de ser também ela mais agressiva, mas, acompanhada de coerência e persistência; os tempos vão ser duros. Estamos perante um sistema repressivo que usa o desemprego como chantagem e a austeridade como arma, assente numa democracia pré-fabricada no molde ultraliberal para uma hipotética saída da crise, ancorada na dividadura como único modelo. Conseguem ainda dividir as massas, convencendo-as de serem culpadas da crise e da necessidade vã, de repetidos sacrifícios que nunca resolvem coisa nenhuma, a não ser satisfazer a gula dos histéricos mercados financeiros.

A crise espanhola abriu a caixa de pandora e os valores assumidos para salvar o Bankia, acrescidos do resgate de 100 milhões só para a banca espanhola, revelam a dimensão do desastre que está a ocorrer, prometendo fortes repercussões para a Europa. Assistimos a um tratamento mais favorável à Espanha, o que leva Rajoy a afirmar que não são infligidos com a humilhação… Reconhece desta forma, o assédio indecente dos resgates e enquanto os PIIGS estão a ser saqueados, a direita pavoneia-se inchada…

Os resultados da Syriza são sem dúvida, uma mudança da mentalidade e da necessidade de uma resposta contra a especulação dos mercados e o plano criminoso da troika. A coragem dos gregos ameaça impelir os europeus na luta contra a chantagem, apesar dos discursos catastrofistas da direita que defende a receita da crise. A direita venceu e Merkel diz não ser suficiente, a Grécia está fora do Euro, o jogo está viciado… Os europeus começam a perceber que existe outro modelo exequível e que é possível um governo de esquerda. Urge por isso, derrubar de vez a direita e o seu modelo capitalista abolorecido e responsável pelo colapso financeiro europeu.

O grande desafio está na forma como enfrentar e combater! E a resposta está na afirmação da democracia, lutar pelos seus princípios e enfrentar a receita da austeridade. Garantir a democracia como papel central e como única via para garantir a defesa das massas, onde para tal é necessário continuar a lutar contra a repressão. Esta tem de ser atacada e para isso temos de desafiar os europeus a defrontar a burguesia europeia dominante e a troika com inteligência e com unidade, mas, à esquerda sem hesitações e meios-termos, preparados para a luta toda.

O modelo capitalista está gasto e desgasta! A solução não pode ser mais do mesmo e a resolução só tem viabilidade com um corte no status quo, apostar na refundação da europa com um sistema financeiro independente e promotor do crescimento económico com uma forte aposta no investimento público. Para tal é imperativo combater a austeridade e o autoritarismo, romper com a troika, combater a corrupção e apostar num modelo de esquerda, social, sustentável, na defesa da democracia versus austeritarismo.

Sobre o/a autor(a)

Analista. Membro do Bloco de Esquerda.
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