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França: socialistas com maioria absoluta impedem eleição de Marine Le Pen

Primeiro o Eliseu, agora o parlamento. François Hollande volta a ganhar eleições em França. O Partido Socialista alcançou maioria absoluta, inédita nos últimos 31 anos, com a ajuda dos seus aliados (314 lugares no parlamento, em 577). Já Marine Le Pen da Frente Nacional, que todos davam já como certa no Parlamento, foi batida pelo candidato socialista em Hénin-Beaumont.
É a primeira vez em 31 anos que os socialistas podem formar um governo de maioria absoluta, dando a Hollande um domínio quase total sobre o país, já que este passa a controlar a presidência, o Parlamento, o Senado e 90% dos governos regionais. Foto Yoan Valat/EPA/LUSA

Segundo os dados oficiais da 2.ª volta da eleições legislativas em França, que decorreu este domingo, o PS francês e os seus aliados conseguiram a maioria absoluta com 46,33% dos votos (314 lugares no parlamento, em 577) e a direita parlamentar obteve 44,13%, o que corresponde a 229 lugares. O PS elegeu sozinho 280 deputados e a UMP, partido de Sarkozy, elegeu 194. Os Verdes obtiveram 3,6% dos votos, elegendo 17 deputados, a Frente Nacional (FN) conseguiu também 3,6% dos votos mas só elegeu 2 deputados. A Frente de Esquerda, com 1,08% dos votos, elegeu 10 deputados, os regionalistas e o Movimento Democrático, com menos de 1% dos votos, elegeram cada um 2 deputados. A extrema-direita, ainda mais à direita que Marine Le Pen, conseguiu 1 lugar no parlamento.

Dos 43 234 mil votantes, foram às urnas 55,41% o que demonstra uma elevadíssima taxa de abstenção (44,58%).

As legislativas deste domingo são históricas: o PS de François Hollande obteve uma vitória esmagadora, como há muito não tinha, e até pode dispensar o apoio dos Verdes com quem tinha um acordo pré-eleitoral (ver gráfico da France TV). É a primeira vez em 31 anos que os socialistas podem formar um governo de maioria absoluta, dando a Hollande um domínio quase total sobre o país, já que este passa a controlar a presidência, o Parlamento, o Senado e 90% dos governos regionais.

A única nota menos cor-de-rosa da vitória socialista foi a derrota de Ségolène Royal. A antiga companheira de François Hollande era a candidata oficial do PS no distrito de La Rochelle, mas perdeu para Olivier Falorni, um dissidente socialista.

Já o partido UMP do ex-presidente Nicolas Sarkozy foi severamente penalizado nas urnas, tendo atingido um número de deputados muito inferior aos 320 que possuía, e abaixo do objetivo do partido que era ficar com pelo menos 250 parlamentares.

Os eleitores castigaram figuras gradas do UMP que se destacaram na adoção da retórica da FN. Claude Guéant, que foi ex-chefe de gabinete e ministro do Interior e se distinguiu por dizer que nem todas as civilizações têm o mesmo valor (falava da civilização árabe), não obteve o seu lugar de deputado.

Marine Le Pen fica de fora, mas Frente Nacional elege dois deputados

A presidente da Frente Nacional (extrema-direita), que concorria no círculo de Hénin-Beaumont (norte), foi derrotada, por apenas alguns votos, pelo candidato socialista, Philippe Kemel, anunciou a prefeitura. O resultado foi de 50,11 contra 49,89 por cento, segundo os dados divulgados pela prefeitura. Os 118 votos em causa levaram Marine Le Pen a reclamar uma recontagem.

Já Marion Maréchal-Le Pen, de 22 anos, neta de Jean-Marie Le Pen (presidente honorário da Frente Nacional) e sobrinha de Marine, foi eleita em Carpentras (Sudeste), também pela extrema-direita francesa. O advogado Gilbert Collard foi eleito no círculo de Gard, igualmente no Sudeste francês.

A extrema-direita francesa conseguiu eleger pelo menos dois deputados à Assembleia Nacional, o que já não acontecia desde 1998.

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