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Alda Sousa participa no comício da Syriza, em Nea Smirni

A eurodeputada bloquista Alda Sousa relata-nos, neste artigo, a sua participação na Marcha LGBT e o comício em Nea Smirni, bairro da “Grande Atenas”, no qual foi uma das oradoras.
Foto de plagal, Flickr.

Regresso ao hotel já passa da uma da manhã (de domingo). Foi um dia intenso. À tarde, participação na Marcha LGBT, sob um sol impenitente. Dizem-me que a Marcha é maior que em anos anteriores.

Ao fim da tarde, comício em Nea Smirni, bairro da “Grande Atenas” que sempre votou à esquerda e um dos muitos em que a Syriza ficou em 1º lugar nas eleições de 6 de Maio. E também onde Aurora Dourada (o partido neonazi) teve a mais baixa votação.

O comício é na Praça central, com cadeiras para a assistência. À volta da Praça há muitas esplanadas, de onde se pode assistir. E há também bancas como as da feira do livro onde durante o dia representantes dos vários partidos asseguram a distribuição de propaganda.

Panagyotis Panos é o meu guia. Foi candidato da Syriza à Câmara de Nea Smirni e conhece muitas das pessoas presentes. Vai-me apresentando aos organizadores locais, à sua própria família, a conhecidos.

Embora anunciado para as 19h30, não começa antes das 20h15. Estão cerca de 500 pessoas. Por vez são famílias inteiras.

Dão-me a palavra em primeiro lugar. Falo durante cerca de 10 minutos das semelhanças entre a situação portuguesa e grega, da solidariedade que estamos a desenvolver em Portugal, da importância de um governo que rompa com o memorando da troika. Acabo dizendo que desejamos a vitória da Syriza. E que o povo grego não vai apenas votar para eleger o seu Parlamento e escolher um governo, mas que tem nas suas mãos o futuro da Europa.

A seguir fala Sofia Sakorafa, a deputada mais votada nas eleições de 6 de Maio. Antiga atleta olímpica, Sofia era deputada do Pasok, mas demitiu-se há 2 anos na sequência do apoio do seu partido ao memorando da troika. Continuou no Parlamento como deputada independente. Tanto nas eleições de 6 de Maio como agora para 17 de Junho, é candidate da Syriza. Com uma voz calma, explica o programa eleitoral. Diz claramente que a Syriza não pede nenhum cheque em branco. E que não será possível mudar tudo da noite para o dia tudo o que precisa de mudança. Mas assegura que o compromisso eleitoral é perfeitamente realista e pragmático e é sobre este compromisso que o future governo de esquerda terá de responder.

Fala da anulação do memorando, da auditoria à dívida (e da suspensão de qualquer pagamento até haver resultados dessa auditoria), dos salários, dos serviços públicos que é preciso voltar a pôr de pé, contra as privatizações mas também contra o clientelismo que se instalou.

 

Apela aos seus ex-camaradas do Pasok que no passado travaram lutas importantes, para votarem na Syriza, em nome da dignidade de todo um povo que agora se revolta contra a tirania da dívida

Nikos Manos é o 3º orador. É médico oftalmologista, aderiu diretamente à Syriza, sem vir de nenhum dos partidos que compõem a co ligação. Fala da importância dos movimentos sociais, recorda as Assembleias aqui neste praça em Nea Smirni e diz que  é essencial que a mobilização dos movimentos sociais se mantenha depois do 17 de Junho. E apela ao voto dos ativistas destes movimentos.

O encerramento está a cargo de Panos Skourleti, um dos porta-vozes da Syriza. É um orador muito experiente e convincente. Apela ao voto dos eleitores descontentes com o Pasok e mesmo com a Nova Democracia. E também que nenhum voto se perca, que ninguém fique em casa, que seja dada a oportunidade à Syriza de romper com o memorando e com as políticas recessivas que conduziram a Grécia à beira do abismo.

O comício acaba com música, num tom festivo e com uma onda de esperança. Várias pessoas da assistência cumprimentam-me e agradecem a solidariedade do Bloco e enviam cumprimentos para os que em Portugal também combatem a troika. Eu vou respondendo que não aqui “só” por eles, gregos, mas também pelo nosso futuro e da Europa. E digo-lhes que a coragem que têm demonstrado em enfrentar a troika é um incentivo para tod@s nós.

Segue-se um jantar com os oradores/as e organização do comício. Em dois dias convenço-me que aqui as refeições são sempre momentos de discussão política de alta intensidade. Fazem-me muitas perguntas sobre a situação em Portugal, sobre as medidas da troika, sobre as resistências, sobre o futuro. Tinha acabado de ser confirmado o pedido de ajuda do estado espanhol e discute-se então as implicações para Portugal e para a zona euro.  

 

Sábado, 9 de junho

Sobre o/a autor(a)

Professora universitária. Ativista do Bloco de Esquerda.
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