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Esquerda alemã quer ultrapassar divisão Leste-Oeste

Em Congresso marcado por alguma polarização, nova direção do die Linke afirma que “o sucesso futuro só será possível como partido pluralista e de toda a Alemanha”. Francisco Louçã foi aplaudido de pé.
Os dois novos co-presidentes do die Linke

Decorreu, este fim-de-semana em Göttingen, o Congresso do Partido die Linke (a Esquerda) com a presença, como convidado, de Francisco Louçã. No final, foi eleita a direção que tem como particularidade, prevista nos Estatutos do Partido, de uma primeira eleição “feminina”, seguida de uma eleição geral.

Katja Kipping, de 34 anos, até agora vice-presidente e deputada no Parlamento alemão, pelo Estado da Saxónia, venceu a eleição com uma margem confortável. Segundo os dados oficiais, conseguiu 67,1% dos votos, enquanto a candidata Dora Heyenn se ficou pelos 29,3%.

Eleito para o cargo de presidente foi também Bernd Riexinger, de 56 anos, sindicalista e líder partidário no estado do Baden-Württemberg, que concorreu contra quatro candidatos, tendo vencido com 53,5% dos votos dos delegados.

Katja Kipping e Bernd Riexinger são, assim, os novos co-presidentes da Esquerda

A última semana foi fértil em acontecimentos no seio do die Linke, com candidatos a surgirem e a desistir, apoios e desapoios de várias personalidades a candidatos e, acima de tudo, com uma incerteza quanto ao futuro devido a hipotéticas divisões entre frações do Leste e do Oeste.

Mas Kipping já veio esclarecer que não faz sentido continuar a falar de Leste e Oeste. E pediu: “Deixem-nos resolver esta maldita divisão Leste-Oeste, de uma vez”, no que foi fortemente aplaudida pelos delegados presentes.

Ainda sobre este assunto, Riexinger, na apresentação da sua candidatura, disse: “tudo farei para ultrapassar a polarização dos últimos meses. Necessário, agora é um regresso às tarefas políticas da Esquerda. O sucesso futuro só será possível como partido pluralista e de toda a Alemanha”.

Neste domingo, pelas 11h45, Francisco Louçã, num discurso emocionado, lembrou as mudanças na França, o desafio da Grécia aos senhores do capital, a situação em Portugal e na Irlanda e chegou mesmo a afirmar que “somos todos gregos contra a austeridade, contra o desemprego, contra a arrogância e somos todos gregos, pela Democracia”.

Ao finalizar com um apelo à unidade da esquerda na Europa, foi fortemente aplaudido, de pé, por todos os presentes na sala. Aplauso este tão emocionado como o seu discurso.

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