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Metropolitana - as dívidas e o legado de Canavilhas

É incompreensível que a Câmara Municipal de Lisboa não se comprometa a agir politicamente junto das restantes municipalidades para garantir o financiamento à Metropolitana.

Os músicos da Metropolitana decidiram fazer greve. Tal como muitos portugueses, têm todas as razões para o fazer, e mais algumas. Vários problemas se põem mas dois deles merecem especial atenção.

A dívida criada por Gabriela Canavilhas

Embora a atual direção tenha sancionado as contas anteriores foi Canavilhas quem actuou de forma criminosa. Não pagou os encargos da segurança social e escondeu uma dívida fiscal que hoje se sabe ascender aos três milhões de euros. Canavilhas fugiu ao fisco. Não há outra forma de olhar para o assunto. Cesário Costa declarou hoje que as dívidas estão saldadas. Não é mentira mas também não é verdade. A Metropolitana comprometeu-se com um plano de pagamentos a longo prazo que não anulou a dívida, pelo contrário, ela mantém-se e será paga, mas não deixa de ser um encargo pesadíssimo.

E aqui havia duas opções para a atual direção: ou denunciava as contas anteriores e obrigava os seus Fundadores a levar para tribunal o legado de Canavilhas; ou obrigava alguém a pagar a dívida extraordinária. Escolheu a segunda e foi buscar aos salários dos trabalhadores da casa aquilo que lhe faltava. Foi uma escolha censurável que merece demissão. Os músicos e professores da casa não têm de pagar a gestão criminosa de Gabriela Canavilhas.

As declarações de Cesário Costa são por isso infelizes tanto no tom como no conteúdo.

É um abuso, uma indecência falar dos cortes que ele impôs como algo de normal. É bom que se esclareça que eles não sofreram apenas os cortes normais que se registaram na função pública, foi bastante além disso com um corte adicional de 25% por cento dos salários e corte total dos subsídios de férias sem perspetiva de reposição. É disto que falamos. E se no conteúdo é incompreensível a posição de Cesário Costa, no tom de agressividade contra os seus colegas de trabalho só se justifica por pura irresponsabilidade do que é gerir uma estrutura como a Metropolitana. É um estilo que vem desde Cassuto e Santana Lopes que nunca deu resultados. É aliás do mais puro senso comum: numa estrutura de criação e educação artística em que a colaboração e trabalho de grupo é a base do sucesso, se a direção adota um tom de humilhação permanente dos seus colegas todo o trabalho fica em risco. O tom de Cesário Costa é censurável e revela uma prática de gestão irresponsável. Merece demissão.

Era altura por isso de os Fundadores da Metropolitana tomarem da palavra. É incompreensível que a Câmara Municipal de Lisboa não se comprometa a agir politicamente junto das restantes municipalidades para garantir o financiamento à Metropolitana. Porque se sancionam as contas de Canavilhas e se recusam a levar o caso a tribunal então têm a obrigação de financiar o que falta. Não fazer nada é que não é opção.

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