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O soberbo

Vítor Gaspar criticou na última reunião do Eurogrupo o seu congénere grego, por achar inadmissível que a Grécia não cumpra o plano de austeridade enquanto Portugal e Irlanda se esforçam. Soberba extraordinária.

Vítor Gaspar não é a figura de um qualquer cândido que considera tudo estar bem; pelo contrário, ele admite estar tudo muito mal. Também não é um orgulhoso; de todo, ele trabalha e nega-se a qualquer demonstração pública de congratulação. Vítor Gaspar é apenas um soberbo que considera politicamente aceitável esconder-se atrás de culpa alheia com medo que o professor lhe dê uma palmada. Porque é medo e humilhação a que Merkel se dedica.

Todo o aparelho do poder da Troika, da Alemanha à Comissão Europeia, do BCE ao FMI, se comporta como um terrorista de estado. Sabem que uma vitória da esquerda socialista na Grécia é um ataque directo à legitimidade da austeridade e estão dispostos a tudo para o impedir.

Foi Christine Lagarde que lançou a ameaça da saída da Grécia do Euro, e foi essa ameaça que provocou a corrida aos bancos e a fuga de capitais desastrosa para a economia grega. Não foi a esquerda radical, muito menos a democracia a funcionar.

Agora que a presidência de Hollande já se revelou mais uma adenda de Merkel importa constatar que é a Grécia que define toda a legitimidade política da austeridade, e isso inclui o governo português, o soberbo aluno da Troika. Porque se o povo grego deixar claro dia 17 de Junho que o euro não é sinónimo de austeridade, então a maioria da Troika em Portugal, do PS ao CDS, vai ter de responder pelo que andou a fazer aos portugueses.

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