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Franceses derrotam Sarkozy na segunda volta

A decisão das presidenciais foi tomada por 80% dos eleitores: François Hollande é o novo Presidente de França com 52% dos votos e diz que o resultado representa uma nova esperança para a Europa: a de que "a austeridade não pode continuar a ser uma fatalidade". Sarkozy assumiu a derrota e prometeu afastar-se das legislativas de 10 e 17 de junho. Para o Bloco, a vitória de Hollande é um sinal claríssimo da derrota do "dueto Merkozy".
Foto Jürg/Flickr

Ao fim de cinco anos de mandato, os franceses decidiram mudar de presidente da República. O socialista François Hollande repetiu a vitória da primeira volta e bateu Nicolas Sarkozy. "Sou o primeiro responsável por esta derrota e devo tirar todas as consequências disso", declarou Sarkozy na reação logo após serem conhecidas as previsões eleitorais. No quartel-general da candidatura, é a preocupação com as próximas legislativas que dominou as reações, com a UMP a prever um mau resultado. “Não farei processos de intenções ao PS, mas quando se concentram todos os poderes, isso pode levar a derivas. Isso será um dos nossos temas de campanha”, disse Alain Juppé, ministro dos Negócios Estrangeiros de Sarkozy. Na declaração de derrota, Sarkozy apelou à união do seu campo político. "Não se dividam, mantenham-se unidos. É preciso vencer a batalha das legislativas. Elas podem ser vencidas", afirmou o presidente derrotado.

No seu discurso de vitória, o presidente eleito disse que o resultado destas presidenciais representa uma nova esperança para a Europa: a de que "a austeridade não pode continuar a ser uma fatalidade". E definiu como prioridade do seu mandato "a preservação do nosso modelo social para garantir igual acesso de todos aos serviços públicos", bem como a "igualdade entre os territórios, a prioridade educativa, a transição ecológica e a reorientação da Europa".

"Quero ser julgado por dois compromissos principais: a justiça, a juventude. Cada uma das minhas escolhas e decisões assentará nestes dois critérios: é justo e é para a juventude?", declarou Hollande, num discurso em que apelou à união dos franceses para o seu projeto. "A mudança começa agora", declarou Hollande, citando o seu slogan de campanha.
Jean Luc Mélenchon, o candidato de esquerda que obteve 11% na primeira volta felicitou Hollande pela eleição e igualmente os gregos do Syriza por se tornarem o primeiro partido da esquerda grega. "A lição de hoje é que para sair da crise da civilização capitalista os povos procuram uma saída à esquerda", afirmou no seu blogue. O líder da Frente de Esquerda diz estar confiante que "as eleições legislativas irão aprofundar a nossa vitória".

Vitória de Hollande é um sinal claríssimo da derrota do "dueto Merkozy"

“É claríssimo que estamos perante uma derrota do eixo franco-alemão, tal como se constituiu nos últimos tempos, do dueto Merkozy, que fez prevalecer no espaço europeu uma política recessiva, de austeridade e de penalização das populações, sem tocar naquilo que era o essencial da crise”, afirmou este domingo a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias, em declarações à Lusa. “Este sentido de voto não é outro senão o da derrota da austeridade”, sublinhou.

A eurodeputada destacou ainda nesta vitória “o papel de Jean-Luc Melenchon e da Frente de Esquerda e das suas propostas na primeira volta das eleições”.

Marisa Matias lembrou “a principal proposta de Hollande na sua candidatura e que o acompanhou ao longo da campanha: renegociar o tratado orçamental”. “Essa é uma mensagem importante, de esperança e é sobretudo também um sinal de quão patética foi a tomada de posição por antecipação do Governo português e do PS ao aprovarem, como bons alunos seguidistas, um tratado desta natureza, que só nos prejudica”, defendeu.
 

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