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Fontinha, Es.Col.A. do povo

O Governo e Rui Rio deixaram algo claro: não querem recuperar os centros históricos e também não deixam que sejam recuperados.

O Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, em concertação com Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, enviou a polícia para, no passado dia 19, desalojar o Projecto Es.Col.A. A PSP usou, mais uma vez, de força completamente desproporcionada contra a população que há um ano dava vida a um espaço abandonado pelo Estado. Tasers contra cidadãos que quiseram dar vida a um bairro que não tem nenhum parque, nenhuma infraestrutura social.

Uma escola primária fechada. Abandonada pelo poder há 5 anos. Uma escola, coração duma comunidade no centro do Porto, estava em degradação, à mercê do vandalismo. Um grupo de pessoas juntou-se para recuperar a escola, limpar as salas, substituir portas e vidros partidos, para devolver a escola à comunidade. Com o tempo o grupo cresceu, envolvendo o povo da Fontinha e cidadãos de todo o Porto num projeto que servia a comunidade, com aulas de dança, iniciativas culturais, apoio educativo para as crianças, entre muitas outras atividades.

Rui Rio, numa tentativa de enganar a população da Fontinha, fingiu concordar com o projeto, propondo o pagamento de uma renda simbólica de 30 euros mensais, com a qual a comunidade concordou, mas impondo um desalojamento em Junho de 2012. Isto porque, subitamente, depois de 5 anos de total desleixo em relação à Escola da Fontinha, a Câmara lembrou-se que havia "um projeto" pensado para o local. Que projeto é, ninguém sabe, quanto mais qual o prazo previsto para a sua execução. Mas com o desalojamento violento da comunidade do seu espaço, percebe-se que esse projeto previsto por Rui Rio não será para servir a população, porque este, que já existia e foi desalojado, tinha custo zero para o erário público.

Esta é a política urbanística dos últimos Governos, cuja única "palavra" sobre o projeto foi dada via PSP. Com milhares de fogos devolutos, edifícios do Estado deixados ao abandono, edifícios particulares deixados à especulação imobiliária, vemos os centros das duas principais cidades do país a morrer aos poucos. As pessoas são obrigadas a procurar casa nos subúrbios, em aglomerados de prédios sem nenhum tipo de equipamento social, e com cada vez piores transportes públicos. Por isso hoje temos uma praça do Rossio com 2 habitantes, uma Avenida da Liberdade com pouco mais e uma Escola da Fontinha desalojada.

Mas o Governo e Rui Rio deixaram algo claro: não querem recuperar os centros históricos e também não deixam que sejam recuperados.

Dia 25 de Abril é dia de Liberdade e de resistência. Liberdade contra a terapia de choque que a Direita nos quer impor, contra a privatização da vida. Resistência contra o "antigamente", que está de volta sem darmos por isso. Dia 25 de Abril, é dia de reconquistar a Es.Col.A., das pessoas para as pessoas.

Sobre o/a autor(a)

Gestor de redes sociais, investigador em comunicação política.
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