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Países vizinhos ameaçam os golpistas do Mali

Benin, Costa do Marfim, Burkina Faso, Níger e Libéria ameaçam adotar sanções e até mesmo usar a força para expulsar os militares golpistas que derrubaram o presidente Amadou Toumani Touré. Por correspondentes da IPS*
O presidente derrubado Amadou Toumani Touré. Foto wikimedia commons

Os países vizinhos de Mali ameaçaram adotar sanções e até mesmo usar a força militar para expulsar os militares que deram o golpe de Estado contra o presidente Amadou Toumani Touré, dos quais exigiram a imediata entrega do poder.

A última cúpula da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Ecowas) concluiu com um acordo para enviar uma delegação de chefes de governo, que se reunirá com os golpistas nos próximos dias.

Por outro lado, milhares de pessoas fizeram quarta-feira uma marcha na capital de Mali, Bamako, em apoio aos militares. “É a primeira mostra de apoio público”, disse o correspondente da rede árabe de televisão Al Jazeera em Bamako, Hashem Ahelbarra, acrescentando que alguns acreditavam que a manifestação foi organizada pelo líder golpista, Amadou Sanogo.

“É preciso mostrar ao mundo que é popular, que o povo o ama, que o povo ocupa as ruas para defender suas políticas”, disse Ahelbarra. Os manifestantes carregavam cartazes onde se lia: “Abaixo ATT”, em referência a Touré, enquanto cantavam músicas em apoio à “solução Sanogo”. A delegação da Ecowas é composta pelos líderes de Benin, Costa do Marfim, Burkina Faso, Níger e Libéria, segundo anunciou o bloco em uma declaração após sua cúpula na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim, no dia 27.

“A cúpula autoriza os preparativos para formar uma força à espera, com a qual a Ecowas possa enfrentar qualquer eventualidade”, diz a declaração, que também ameaça com possíveis proibições de viagem e sanções financeiras e diplomáticas contra membros da junta militar de Mali. A declaração não detalha possíveis ações armadas. O bloco não conta com um exército comum, por isso deverá iniciar um lento processo para reunir efetivos dos diferentes países-membros. Na cúpula também se decidiu suspender Mali de todos os órgãos de tomada de decisões do bloco. Por sua vez, França, União Europeia e Estados Unidos suspenderam a maior parte de sua ajuda a Mali.

Em entrevista exclusiva à Al Jazeera, Sanogo defendeu o golpe de Estado, afirmando que Touré falhara com o país e não fez o suficiente para combater os insurgentes tuaregues no norte. “O que nos levou a pôr fim ao governo do presidente Amadou Touré foi a longa crise no norte. Os grupos armados (tuaregues) estão a matar pessoas, e isto dificulta o êxito dos programas de desenvolvimento, deixando o exército em uma situação desastrosa”, declarou. “Criamos uma equipe técnica que buscará possíveis soluções para a crise no norte. A guerra e o confronto militar não são as opções preferidas. Os que vivem no norte são nossos irmãos e podemos sentar-nos juntos à mesa de negociações”, acrescentou.

Apesar das propagadas críticas ao golpe, Sanogo disse confiar que a comunidade internacional aceitará as suas razões. “Enviaremos representantes às organizações internacionais, bem com a países amigos, para explicar os objetivos que tínhamos em mente para realizar isto”, acrescentou. No dia 27, os golpistas anunciaram a adoção de uma nova “lei fundamental” criada para garantir o estado de direito numa “democracia pluralista”.

Em declaração lida por um soldado em transmissão da televisão estatal, os militares garantiram que o novo documento garantiria os direitos humanos. Também afirmaram que os membros da junta não poderão ser candidatos para as próximas eleições legislativas e presidenciais, cuja data ainda não foi anunciada. Os militares levantaram o toque de recolher que vigorava desde o golpe da semana passada. 29/03/2012

* Publicado sob acordo com a Al Jazeera.

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