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Alemanha: Funcionários públicos em greve por aumentos salariais

Dezenas de milhar de trabalhadores da administração pública da Alemanha estão em greve desde o início da semana e até sexta-feira por aumentos de salários e dos subsídios de formação. O conflito laboral deverá estender-se muito em breve ao sector metalúrgico, onde o patronato declarou à partida rejeitar as reivindicações do poderoso IG Metall.

A Alemanha deve grande parte da sua competitividade à sua situação próxima do congelamento de salários que se tem prolongado durante anos consecutivos e a que os trabalhadores decidiram pôr fim.

As greves na administração pública têm abrangido principalmente os trabalhadores das instituições locais, regionais e dos Estados Federais e não são simultâneas. Trata-se de greves de aviso e a luta envolve as principais centrais sindicais, a dos serviços Ver.di e a DBB, dos trabalhadores da administração pública.

Quarta e quinta-feira a luta envolveu os Estados da Renânia do Norte Vestefália, Bade-Wurtemberg, Brandeburgo, Saxe, Saxe-Anhalt e Turíngia. Grande parte das regiões abrangidas integravam a antiga RDA, onde as discriminações salariais continuam muito acentuadas devido ao congelamento salarial.

Os sindicatos pretendem pressionar a administração pública a ser mais maleável uma vez que as negociações se iniciaram há uma semana sem resultados. As duas centrais sindicais reivindicam um aumento de 6,5 por cento e partir de um mínimo de 200 euros para um universo de dois milhões de trabalhadores.

O movimento iniciou-se segunda e terça-feira nas zonas mais ocidentais do país. Na sexta-feira prossegue no Hesse, Berlim e Brandeburgo, Baixa Saxónia, Bremen e Baviera.

As duras negociações no sector da metalurgia começaram entretanto na terça-feira, conduzidas pelo IG Metall, que representa 3,,4 milhões de trabalhadores. O sector abrange as actividades de máquinas-ferramentas, mecânica, indústria automóvel, produção de energia eléctrica e semi-condutores. O acordo colectivo expira no fim deste mês e os trabalhadores reclamam igualmente aumentos de 6,5 por cento, objectivo que as instâncias patronais rejeitaram imediatamente.

Martin Kannegiesser, chefe da mais poderosa organização patronal, afirmou que a aceitação dessa reivindicação iria ameaçar a competitividade da economia alemã, confirmando implicitamente o papel que o congelamento salarial teve no desequilíbrio que a economia alemã e a sua estratégia em relação ao euro impuseram ao resto da Europa. Kannegiesser acrescentou que "só podemos ter salários mais elevados através de uma produtividade mais forte e não porque desejamos mais justiça na Alemanha".

O congelamento de salários tem agravado os desequilíbrios sociais na Alemanha, país onde as bolsas de pobreza se têm desenvolvido a ritmo intenso nos últimos anos.

Artigo publicado em beinternacional.

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