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Nuclear: Europa não está preparada para desastre como Fukushima

O Instituto francês de Segurança Nuclear diz que se o acidente de Fukushima ocorresse na Europa Central, o desastre seria muito pior. No Japão, o Governo e a empresa que gere a central nuclear são acusadas de negligência por uma investigação independente.
Má gestão do Governo japonês e da empresa responsável pela central contribuiu para que o desastre fosse maior. Foto Gonzalo Diniz

Segundo Jaques Repussard, o diretor do IRSN, "há dúvidas sobre a capacidade de alguns países europeus de gerir este tipo de situação" e aconselha que sejam feitos "avanços na gestão de crises em muitas regiões", uma vez que hoje em dia "não existe suficiente coordenação". Isto resulta na falta de centros de crise atómica ou no desentendimento entre autoridades de saúde sobre quais as instruções a dar à população em caso de acidente nuclear.

No Japão, uma Comissão de Investigação Independente ao acidente de Fukushima ouviu 300 testemunhos, entre os quais o do então primeiro-ministro japonês Naoto Kan, outros membros do Governo e o presidente da Comissão de Segurança Nuclear japonesa. Os altos responsáveis da Tokyo Electric Power Co. (TEPCO), que geria a central nuclear, recusaram-se a responder a esta investigação.

Segundo o site informativo Asahi Shimbun, este relatório conclui que foi um erro humano que esteve na origem do desastre e não o sismo de 11 de março que abalou a costa japonesa. Mas a grande quota-parte das responsabilidades pela má gestão do acidente de Fukushima é atribuída à empresa, que avaliou mal as condições do reator na noite do acidente. A ausência dos principais responsáveis da empresa até à manhã seguinte também contribuiu para a perda de controlo da situação, segundo a opinião desta Comissão, que acusa a TEPCO de "negligência sistemática" e irresponsabilidade.

Mas a regulação governamental da segurança nuclear também é visada nesta investigação, por não respeitar as normas internacionais e as recomendações da Agência Internacional para a Energia Atómica. O relatório diz ainda que o centro de emergência construído a cinco quilómetros da central Fukushima 1 não cumpriu as suas funções e parece ser uma medida de "faz de conta para tranquilizar os residentes da zona".

As divergências entre o gestor da central 1 de Fukushima, Masao Yoshida, e a direção da empresa também são abordadas no relatório, porque o gestor continuou a injetar água do mar no reator depois da TEPCO o mandar parar, aparentemente por causa das reservas do primeiro-ministro. Afinal de contas, a decisão de Yoshida provou ser a mais correta mas pôs em causa a cadeia de comando, o que é considerado problemático em situações de gestão de crise.

O jornal Japan Times avança ainda com a informação de que nas entrevistas feitas a membros do Governo, ficou claro o desconhecimento por parte do executivo até dias depois do acidente de que existia um sistema que previa a dispersão da contaminação.

A estas críticas juntam-se as da comissão francesa, que acusa as autoridades japonesas de não terem medido os níveis de radioatividade na tiróide dos habitantes da região, em especial as crianças, mas também de não existirem registos precisos sobre a contaminação de habitantes e trabalhadores da central. Ainda de acordo com o IRSN, a quantidade de iodo radioativo libertada em Fukushima foi um décimo da de Chernobyl e quanto ao césio, foi de um terço em relação ao desastre soviético. Mas ao contrário de Chernobyl, no acidente japonês a maior parte da contaminação ficou dispersa sobre o oceano.

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