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Sindicato acusa Zara de intimidar trabalhadores

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) acusa a Zara de estar a "aproveitar-se da crise que atravessa o país para reduzir os custos com pessoal". CESP pede atuação da Autoridade para Condições do Trabalho e do ministro da economia. Precários Inflexíveis demonstram solidariedade com trabalhadores.
A Zara tem apresentado lucros altíssimos nos vários exercícios ao longo dos anos e, ainda recentemente, adquiriu a Massimo Dutti por mais de 100 milhões de euros.

Segundo o CESP, nas lojas da Zara - principal marca do grupo espanhol Inditex, sedeado na Corunha - de Santa Catarina, do Gaia Shopping e do Dolce Vita, no Porto, os trabalhadores estão a ser chantageados para diminuírem a sua carga horária de trabalho e, consequentemente, aceitarem um salário mais reduzido.

"Num clima de intimidação e com ameaças de despedimento" foi proposto àqueles trabalhadores "que solicitassem à empresa, por escrito, a redução dos horários de 40 horas para 35 horas e dos 'part time de' 25 horas para 20 horas, com a correspondente redução de salários”, denuncia o CESP.

"A maioria dos trabalhadores foram coagidos para assinarem a carta a solicitar a redução dos seus horários e salários, com a qual não estão de acordo", adianta a estrutura sindical, que vai exigir a intervenção do ministro da Economia e da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

O sindicato acusa a marca, que "tem apresentado lucros altíssimos nos vários exercícios ao longo dos anos e, ainda recentemente, adquiriu a Massimo Dutti por mais de 100 milhões de euros", de estar a "aproveitar-se da crise que atravessa o país para reduzir os custos com pessoal".

Para o CESP, a Zara prepara-se para “quando sair a nova legislação, poder despedir mais barato os trabalhadores mais antigos e, assim, mandar para o desemprego mais umas largas dezenas de trabalhadores".

Movimento Precários Inflexíveis solidário com trabalhadores

O Movimento Precários Inflexíveis, que tem vindo a denunciar as múltiplas ilegalidades cometidas no setor do comércio, já veio demonstrar a sua “solidariedade com os trabalhadores e trabalhadoras que estão a ser vítimas destas pressões e ilegalidades”.

Escândalo sobre trabalho escravo em fábrica da Zara no Brasil

Em agosto de 2011,a subsidiária da Zara no Brasil começou a ser investigada pelo alegado envolvimento em trabalho escravo. A empresa AHA, principal fornecedora da Zara no Brasil, detinha várias fábricas ilegais na região de São Paulo, onde trabalhavam imigrantes bolivianos e peruanos submetidos a condições semelhantes à escravatura. Indícios de trabalho infantil - entre os trabalhadores estava um adolescente de 14 anos -, pagamento de salários inferiores ao mínimo exigido e turnos de 16 horas foram algumas das irregularidades detectadas pela inspecção.

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