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Grécia é banco de ensaio contra os direitos sociais dos europeus

A situação “não é mais do que um banco de ensaio antecipando a aplicação de medidas cujo objetivo é o desmantelamento dos direitos sociais e democráticos em toda a Europa”, concluiu a delegação de eurodeputados do GUE/NGL, que visitou a Grécia.
A delegação do GUE/NGL à entrada da siderurgia Greek Steelworks (foto de Nelson Peralta)

A delegação de eurodeputados da Esquerda Unitária (GUE/NGL) que durante a semana visitou a Grécia para se inteirar da realidade daquele país cada vez mais sob tutela de Berlim e Bruxelas manifestou no final da viagem a ideia de que a situação "não é mais do que um banco de ensaio antecipando a aplicação de medidas cujo objetivo é o desmantelamento dos direitos sociais e democráticos em toda a Europa".

A conclusão foi apurada na sequência de reuniões no Parlamento com deputados de partidos de esquerda que contestam a austeridade imposta pela troika e também de encontros com representantes da sociedade civil e da visita à siderurgia da Greek Steelworks, onde cerca de 400 trabalhadores estão em greve há quatro meses lutando pela reintegração de 65 companheiros despedidos.

As decisões "tomadas recentemente em Bruxelas revelam que a troika BCE-FMI-Comissão Europeia detém o controlo total da economia grega desrespeitando todas as regras democráticas", denunciou a delegação no final da deslocação a Atenas.

Nos encontros e reuniões efetuadas, os eurodeputados membros da delegação manifestaram a solidariedade com todos os sectores da sociedade lutando contra a austeridade, suas consequências e os ataques à soberania do país. Os membros do Parlamento Europeu apelaram ao levantamento das medidas de austeridade, "que afundam cada vez mais a economia grega na crise provocando consequências desastrosas para muitas pessoas".

A delegação fez um apelo especial para que o povo grego tenha, enfim, uma palavra a dizer sobre as decisões tomadas em relação ao futuro da Grécia.

Nos encontros com os representantes da sociedade civil os eurodeputados aperceberam-se do ataque profundo que está a ser realizado contra a habitação social e as organizações de cidadãos no sector baseadas no mutualismo e que ameaça cerca de 120 mil famílias. Estas poderão vir a ser obrigadas a ter de pagar rendas e hipotecas muito mais elevadas em consequência de medidas da troika mais relacionadas com manobras de engenharia social do que com o combate à dívida soberana.

Os encontros políticos da delegação realizaram-se com deputados do Partido Comunista da Grécia (KKE) e da Coligação de Esquerda Syriza, que tem o Synapismos como maior partido integrante.

Além de eurodeputados destas duas organizações gregas, a delegação do GUE/NGL integrou os deputados portugueses Miguel Portas (Bloco de Esquerda) e João Ferreira (PCP) , Patrick Le Hyaric (Frente de Esquerda, França), Sabine Losing e Gabi Zimmer (Die Linke, Alemanha), Paul Murphy (PS, Irlanda) e Kyriacos Traintaphyllides (AKEL, Chipre).

Sobre o/a autor(a)

Biólogo. Dirigente e deputado do Bloco de Esquerda
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