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AR rejeita adoção por casais do mesmo sexo

Votos contra do PCP e da maioria dos deputados do PSD e do CDS garantem o chumbo dos projetos do Bloco e dos Verdes. Bancada do PS divide-se, com a maioria a votar a favor.
Cecília Honório: compromisso é com "a igualdade absoluta" e com o interesse de milhares de crianças que já vivem com casais homossexuais e que também não podem ser discriminadas. Foto de Miguel A. Lopes, Lusa

A Assembleia da República rejeitou esta sexta dois projetos, do Bloco de Esquerda e dos Verdes, para permitir a adoção por casais do mesmo sexo, numa votação que dividiu as bancadas do PS e do PSD, e que teve uma surpreendente unanimidade no PCP contra.

Votaram a favor as bancadas do Bloco e do PEV, 38 deputados do PS, 9 do PSD e 1 do CDS. Abstiveram-se 12 deputados do PS e 2 do PSD, e votaram contra toda a bancada do PCP, a maioria dos deputados do PSD e do CDS e 8 do PS.

Em relação ao projeto dos Verdes, houve mais um deputado socialista a votar a favor.

Um segundo projeto do Bloco relativo à chamada co-adoção foi também rejeitado. Votaram a favor desta iniciativa o Bloco de Esquerda, os Verdes, 34 deputados do PS e sete do PSD. A proposta teve os votos contra de toda a bancada comunista, da maioria dos deputados do PSD e do CDS e 12 parlamentares socialistas. Houve ainda duas abstenções no CDS, quatro no PSD e 13 no PS.

O único país em que pessoas do mesmo sexo podem casar, mas não adotar

Cecília Honório, pelo Bloco, lembrou que Portugal é o único país do mundo em que pessoas do mesmo sexo podem casar, mas não adotar. E afirmou que o Bloco não desistirá da proposta que legaliza a adoção por casais do mesmo sexo, porque o compromisso é com "a igualdade absoluta" e com o interesse de milhares de crianças que já vivem com casais homossexuais e que também não podem ser discriminadas.

Heloísa Apolónia, do PEV, insistiu que a adoção de crianças não deve ter como critério a orientação sexual dos candidatos.

Para justificar o seu voto contra, o PCP argumentou que esta questão ainda não foi “suficientemente debatida e sedimentada na sociedade”, disse o líder parlamentar Bernardino Soares. “O nosso voto nesta matéria (…) não significa uma posição de rejeição”, sublinhou o deputado comunista, “mas expressa apenas a necessidade de prosseguir o debate, o esclarecimento sobre a questão”.

Já Telmo Correia, do CDS, disse que a adoção por casais do mesmo sexo “contraria o criador” e criticando as bancadas, especificamente a do Bloco, que tem patrocinado projetos “de fratura em fratura”.

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