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Rixa de gatos, Madrid 1936, de Eduardo Mendoza

O catalão Eduardo Mendoza tem sido muito traduzido para português e com sucesso. O seu último livro, “Rixa de Gatos”, Prémio Planeta 2010, é uma intriga divertida e incontinente acerca das conspirações fascistas e as espionagens que se cruzam na véspera do levantamento franquista e do início da guerra civil de Espanha. Publicado por Francisco Louçã em nota no facebook.
Rixa de Gatos, de Eduardo Mendoza

Anteriormente, escreveu sobre a Catalunha antes e depois da guerra civil e até sobre o carreirismo político depois do franquismo. Sempre com humor, retratos precisos, tramas intensas e algum desgosto. Deste modo, Mendoza tornou-se um dos caricaturistas das tragédias espanholas do século passado.

“Rixa de Gatos” – um título certamente banal e desmerecedor da tragédia que se vai descortinando no livro, porque não se trata nem de uma rixa nem de gatos e os leitores sabem como será a sequência de sangue e morte – passa-se em Madrid, quando o governo republicano vai sendo isolado pela conspiração, pelas quezílias, pela incapacidade de enfrentar o adversário e de mobilizar o povo, quando os falangistas e saudosistas da ditadura de Primo de Rivera, desconfiados e impantes, negoceiam com os generais golpistas. No meio de toda a confusão, surge um inglês ingénuo, manipulável, carente, confuso, o especialista em pintura espanhola do Século de Ouro, um tempo que se vai fechando com Filipe IV, quando a monarquia se arruinou (e Portugal se tornou independente) mas a corte se encheu de belíssimos quadros, como os de Velázquez.

O inglês, Anthony Whitelands, vem para certificar a autoria de um quadro, escondido nas caves de um simpatizante falangista e cujo valor exorbitante pode garantir um fornecimento de armas aos insurrectos. Mas o quadro é desconhecido, o pintor nele escondera há séculos uma misteriosa história de amor, os aristocratas que o escondem balançam entre vários mundos, o chefe dos falangistas vive espampanantemente como Valentino nos tempos do filme mudo, todos são agentes duplos ou triplos, não há lealdades mas há tiros nas ruas, bordeis que albergam espiões e enviados de Moscovo.

O livro é um divertimento e por isso permite-se cruzar acontecimentos como se o autor estivesse a escrever um filme, num ritmo alucinante de encontros e desencontros, muito álcool, comidas e ressacas, amores furtivos e abandonados, com muito dramalhão em tempero. Para os leitores, será um passeio.

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