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Rita Lee detida, mais um episódio de truculência da polícia do Brasil

Cantora insurgiu-se contra a ação da polícia que revistava os jovens à procura de drogas, durante um concerto no estado de Sergipe, que é governado pelo PT. Vereadora do PSOL defendeu-a na esquadra.
"Eu não tenho medo de policiais militares, eu vivi na ditadura", disse Rita Lee. Foto de João Guilherme de Carvalho

Rita Lee, a “rainha do rock brasileiro”, foi detida no final do último concerto da sua carreira, no estado de Sergipe (nordeste do Brasil), acusada de desacato às autoridades. A cantora insurgiu-se contra a ação da Polícia Militar que revistava jovens à procura de maconha (canábis). O público foi calculado em mais de 20 mil pessoas, na sua maioria jovens.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, criticou a ação da polícia de Sergipe, um estado governado pelo Partido dos Trabalhadores. Para ele, o episódio só confirmou "a falta de preparação adequada da polícia, o que vai de São Paulo, onde vimos o caso Pinheirinho [a desocupação violenta de um bairro inteiro de mais de 10 mil pessoas], até Sergipe".

Para Ophir Cavalcante, o episódio “mostra a irreverência da artista e a falta da preparação adequada da polícia”, e acrescentou: “a polícia precisa ser respeitada, mas é preciso investir numa polícia mais humana e mais cidadã".

"Tudo isso por causa de um baseadinho [charro]?”

Irritada com a ação da polícia, a cantora, que tem 67 anos e é avó, chamou os polícias de cachorros e filhos da puta e disse: "Eu não tenho medo de policiais militares, eu vivi na ditadura", ironizando em seguida: "Tudo isso por causa de um baseadinho [charro]? Dá ele aqui que eu fumo", disse.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), defendeu a ação da polícia e acusou Rita Lee de “falta de profissionalismo”, afirmando que o comportamento da cantora pôs em risco a segurança do público.

Mas a vereadora de Alagoas Heloísa Helena, ex-candidata à Presidência da República pelo PSOL, defendeu a cantora e foi à polícia depor a seu favor. No Twitter, a vereadora explicou:

“O que aconteceu? Eu estava bem pertinho e Vivenciei...Vi e ponto!!! Após "ação policial" de empurrões contra Meninada (que não estava fumando maconha nem badernando!) a @LitaRee_real verbalizou: "Vão procurar os políticos ladrões...tem tanto político fdp pra vocês acharem"...mais ou menos isso! Daí começou o Conflito/Tumulto... Ela ficou todo o Tempo explicando que era uma Mãe, Avó, 67 Anos, queria fazer uma Festa Linda Despedida e pediu que os Policiais... não ficassem todo o tempo circulando na frente do Palco (eu estava e não tinha confusão!) Depois, claro...Provocação gera Provocação!”

Também no Twitter, Rita Lee escreveu que foi solta graças à vereadora Heloísa Helena.

Na década de 70, Rita Lee foi presa na sua residência, em São Paulo, alegando a polícia da ditadura militar que governava então o país que tinha encontrado maconha dentro da casa. A cantora negou que tivesse consumido a droga porque estava grávida do primeiro filho e afirmou que fora presa por conta da censura da ditadura.

Rita Lee Jones Carvalho é cantora, compositora, atriz e guitarrista. Segundo a Wikipédia, já vendeu mais de 60 milhões de cópias de discos, sendo a cantora brasileira que mais vendeu na história da música do país. Fez parte do mítico grupo Os Mutantes (1968-1972) e do Tutti Frutti (1973-1978), passando depois a uma carreira a solo, junto com o marido, Roberto de Carvalho. Algumas das suas músicas têm presença obrigatória no cancioneiro popular brasileiro, como "Ovelha Negra", "Mania de Você", "Lança Perfume", "Agora Só Falta Você", "Amor e Sexo", entre outros.

Sergipe x PMSE : Confusão que levou Rita Lee à delegacia em Aracaju. 29.01.2012

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