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6900 casas foram devolvidas ao banco em 2011

O número de famílias e de promotores imobiliários que, no ano passado, se viram forçados a entregar os seus imóveis aos bancos por não conseguirem suportar os encargos com os empréstimos bancários atingiu subiu quase 18 por cento num ano.
Foto de Paulete Matos.

Segundo a edição impressa do Jornal de Negócios, o número de famílias e de promotores imobiliários que, em 2011, se viram forçados a entregar os seus imóveis aos bancos por não conseguirem suportar os encargos com os empréstimos bancários atingiu os 6.900. Os números são da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), e revelam "uma tendência cada vez mais preocupante", alerta Luís Carvalho Lima, presidente desta entidade.

Só em Dezembro, a APEMIP contabiliza 1100 casos, naquele que classifica como "o corolário de um segundo semestre extremamente difícil, em que o agravamento homólogo se situou em torno dos 17,9 por cento", cita o mesmo jornal. Se, nos últimos anos, esta situação acontecia sobretudo às famílias que por uma razão ou por outra se viam em apuros, o arrefecimento do mercado imobiliário arrasta para o sufoco também os promotores, que constroem e depois não conseguem vender os seus empreendimentos.

"Os bancos têm de ser mais flexíveis e admitir negociar com as famílias em situação de rutura, permitindo, por exemplo, um período de carência em que apenas suportem os juros", sustenta Luís Lima, em declarações ao Negócios. Afinal, lembra, "há 114 mil milhões de euros investidos em crédito à habitação". Este valor, acrescenta, "se somado aos 40 mil milhões de endividamento do sector da construção e do imobiliário quase atinge o valor do PIB português [172 mil milhões de euros]".

O risco é grande porque se o setor imobiliário cair no abismo da crise, levará o sector financeiro atrás, sendo que as vendas de imóveis registam já o pior ano desde 1980.

Em Portugal, as famílias tinham 2,14 mil milhões de euros de pagamentos em atraso no final de novembro, com o peso do crédito mal parado a atingir 1,89 por cento. É a percentagem mais elevada desde que o Banco de Portugal começou a reunir os dados sobre cobrança duvidosa, em 1998. Esta realidade, adianta o Negócios, está já a afetar as contas dos bancos, obrigando-os a constituir provisões para fazer face à eventualidade de não conseguirem recuperar o montante total das dívidas, mesmo vendendo os imóveis.

As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto - a primeira com 26,2 e a segunda com 19 por cento - concentraram no ano passado quase metade (45,2 por cento) dos imóveis entregues em 'dação em pagamento', revelam os dados da APEMIP. Aliás, dos 10 municípios mais penalizados em termos nacionais, apenas três não estão incluídos nestas duas grandes áreas: Loulé, Ponta Delgada e Braga. Em termos gerais, os primeiros lugares são ocupados por Vila Nova de Gaia, Sintra, Alcochete e Lisboa.

Estes imóveis, que vão parar às mãos dos bancos, são depois colocados novamente no mercado, com condições mais vantajosas (financiamento de 100 por cento e 'spreads' mais baixos), fazendo concorrência aos promotores imobiliários.

Empresários preocupados com o poder 'despejar' mais rápido

Os empresários estão preocupados mas a sua grande expectativa são agora as reformas legislativas em curso sobre mercado de arrendamento e reabilitação. A APEMIP acredita mesmo que há já alguns investidores a antecipar as novidades prometidas, que, espera-se, “trarão novo dinamismo e confiança ao mercado”.

O presidente da APEMIP lembra, contudo, que há ainda questões em aberto que podem ou não ditar o sucesso de todo o pacote legislativo: "Precisamos de ter a certeza de que os processos judiciais de despejo vão realmente ser céleres e eficazes e, sobretudo, precisamos de uma taxa liberatória de IRS para os rendimentos prediais, sem a qual o mercado não vai descolar", conclui o responsável.

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