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Centenas em Belém para "ajudar Cavaco"

Mais de duas centenas de pessoas, entre as quais muitos reformados, juntaram-se em frente ao Palácio de Belém para deixarem uma moedinha ao Presidente da República, na sequência das queixas de Cavaco em relação às pensões que aufere. Outro apoio embaraçoso surgiu pela voz de Alberto João Jardim, um dos raros políticos que acumula o salário com a pensão.
Centenas estiveram em Belém para ajudar o "necessitado" Cavaco. Foto Paulete Matos

As razões dos participantes para acorrerem a esta "flasmob" convocada de véspera na internet convergiam num ponto: «Foi uma declaração tão ridícula que as pessoas têm de reagir», afirmou à agência Lusa Rosa Batista, de 58 anos, enquanto contribuía com a sua moeda para "ajudar o Presidente". «As declarações do Presidente foram perfeitamente inadmissíveis», desabafava um reformado «muito mais velho» que Cavaco Silva e que apenas se quis identificar com o apelido Pinheiro.

«Há milhares de pessoas em situação precária ou com baixas reformas. O Presidente ofendeu essas pessoas quando disse que não tem dinheiro para pagar essas contas quando recebe mais de 10 mil euros por mês», afirmou Marco Marques, ativista dos Precários Inflexíveis, que por isso veio "deixar uma palavra de indignação". Uma hora depois do início da flashmob, para além de muitas moedas de 1 cêntimo foram também recolhidos um pacote de arroz, um pacote de leite e outro de cereais, um pão e um cigarro. Os promotores foram impedidos de entregar as ofertas solidárias na portaria do Palácio por alegados motivos de segurança, dado estar a decorrer a visita de Mariano Rajoy, o novo primeiro-ministro espanhol.

Mas quando tudo fazia crer que este seria o apoio mais embaraçoso do dia para Cavaco Silva, eis que surgiu um dos quatro políticos no ativo que ainda acumula a pensão de reforma com a remuneração do cargo que ocupa: Alberto João Jardim. O líder do Governo Regional da Madeira, que nunca deixou que a proibição da acumulação de pensões dos políticos chegasse ao arquipélago, saiu em socorro de Cavaco e diz mesmo que esta polémica “é mais uma manobra mafiosa para desviar as atenções”. Em 2005, quando a comunicação social divulgou o montante da sua pensão (4124 euros) que acumula com o salário equiparado a ministro, Jardim culpou os "bastardos da comunicação social do continente". "Eu digo bastardos para não lhes chamar filhos da puta", acrescentou o governante regional e pensionista, em declarações que causaram maior distanciamento em relação ao PSD então liderado por Marques Mendes.

A polémica instalada pelas declarações do Presidente da República na sexta-feira, ao declarar que a soma das suas pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações (que somam quase 12 mil euros mensais) não lhe vão chegar para pagar as despesas ao fim do mês, não ficou arrumada pela tentativa de explicação, em nota escrita e enviada à agência Lusa. Cavaco acabou por responder mais a Passos Coelho do que esclarecer a polémica, ao dizer que "não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os portugueses estão a fazer nos dias de hoje". O primeiro-ministro tinha dito que todos estão sujeitos a sacrifícios, incluindo o próprio Presidente.

Num comportamento semelhante ao de outras polémicas como a das suas transações financeiras com Oliveira e Costa, que surgiram durante a campanha presidencial, Cavaco afirma que não foi “suficientemente claro quanto à intenção do que queria transmitir”, mas acaba por não esclarecer nem o valor das pensões que aufere, nem o facto de as ter preferido, com vantagem financeira, ao salário de Presidente da República, tornando-se assim o único chefe de Estado que não é remunerado pelo Estado que representa.

Traz uma moeda pró Cavaco |Flash mob|

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