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Glaciares alpinos perderam um quarto da sua superfície

Um estudo realizado pela Universidade da Sabóia, em França, mostra que a superfície total dos glaciares existentes nos Alpes diminuiu em cerca de 25% ao longo das últimas 4 décadas.
A superfície total dos glaciares existentes nos Alpes diminuiu em cerca de 25% ao longo das últimas 4 décadas.

Este estudo baseou-se na cartografia e na evolução temporal dos glaciares alpinos franceses. Os dados utilizados no estudo foram extraídos de carta topográficas anteriores a 1970 do IGN (Institut Géographique National), de imagens dos satélites Landsat 5 e Landsat 7 (com resolução de 30 e 15 metros, respectivamente) e de fotografias aéreas do IGN (com uma resolução de 50 cm).

Foram cartografados cerca de 600 glaciares entre o maciço das Aiguilles Rouges na Alta Sabóia até Ubaye nos Alpes Meridionais. A superfície total dos glaciares estudados era de 375 km2 em 1970, em 1985 reduziu-se a 340 km2 tendo totalizado apenas 275 km2 no registo de 2009.

A fusão acelerada dos glaciares tem consequências importantes no clima local, aumentando o caudal dos rios que nascem nas respectivas formações montanhosas, com um correspondente aumento da pluviosidade e do risco de inundações em comparação com os anos anteriores. Mas a fusão local registada nos Alpes Franceses é com grande probabilidade consequência do aquecimento global resultante da actividade humana registado nas últimas décadas.

A taxa a que os glaciares derreteram evolui de uma forma semelhante à curva do aquecimento do clima e, mais importante, tem correspondido aos resultados estimados pelos modelos de simulação do clima aplicados aos glaciares alpinos, reforçando as conclusões dos sucessivos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas sobre o impacto da actividade humana no clima do nosso planeta.

Sobre o/a autor(a)

Investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra
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