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Europeus desperdiçam 89 milhões de toneladas de alimentos por ano

Os países da União Europeia desperdiçam anualmente cerca de 50 por cento dos alimentos em condições comestíveis, 89 milhões de toneladas, quase 180 quilos por pessoa, revela um relatório do Parlamento Europeu.
Os países da UE desperdiçam anualmente cerca de 50 por cento dos alimentos em condições comestíveis

Esta situação verifica-se num espaço onde 80 milhões de pessoas vivem abaixo do limiar de pobreza e 16 milhões sobrevivem graças a apoio direto de instituições de beneficência – sendo que a UE cortou drasticamente as verbas de apoio a essa ação.

Uma resolução adotada no Parlamento Europeu sobre a situação adverte que se não forem tomadas medidas, o volume global de desperdício alimentar poderá chegar a 126 milhões de toneladas até 2020, o que representa uma aumento de 40 por cento.

Os eurodeputados solicitam à Comissão Europeia que adote medidas com carácter de urgência que permitem reduzir para metade o desperdício alimentar até 2025. Entre essas medidas propõem-se, por exemplo, a etiquetagem com duplo prazo de validade (data limite de venda e data limite de consumo), descontos dos preços nos produtos próximo do prazo de validade e a modificação das dimensões das embalagens por quantidades que permitam aos consumidores adquirir tanto quanto possível o que pretendem.

"O desperdício de alimentos representa um problema ambiental e ético e tem custos económicos e sociais, o que coloca desafios no contexto do mercado interno, tanto para as empresas como para os consumidores", sublinha a resolução, aprovada por larga maioria. Os desperdícios ocorrem ao longo de todos os elos da cadeia agro-alimentar - campos agrícolas, indústrias de transformação, empresas de distribuição e casas dos consumidores. Os eurodeputados avançam com uma série de sugestões para reduzir o desperdício alimentar na UE e pedem à Comissão que adote medidas concretas neste sentido.

Segundo dados da Comissão, 18 por cento dos cidadãos europeus não compreendem o rótulo "consumir de preferência antes de". O PE pede ao executivo comunitário e aos Estados membros que clarifiquem o significado das datas indicadas nos rótulos ("consumir de preferência antes de", "prazo de validade", "data-limite de consumo"), a fim de reduzir a confusão dos consumidores relativamente à comestibilidade dos alimentos. A modificação do tamanho das embalagens para ajudar os consumidores a comprar a quantidade adequada é outra das medidas propostas na resolução parlamentar. As vantagens de oferecer mais produtos alimentares a granel devem também ser avaliadas.

O Parlamento Europeu sugere igualmente aos Estados membros que promovam campanhas de sensibilização e incentivem a introdução de programas de educação a todos os níveis do ensino, nomeadamente superior, que expliquem, por exemplo, como armazenar, cozinhar e eliminar os alimentos.

Os eurodeputados sugerem ainda à Comissão que estude eventuais modificações das normas que disciplinam os contratos públicos para os serviços de restauração e hotelaria, a fim de privilegiar, ao nível da adjudicação de contratos, as empresas que garantem uma redistribuição gratuita dos produtos não distribuídos (não vendidos) às categorias de cidadãos sem poder de compra.

De acordo com o relatório, 42 por cento dos desperdícios verificam-se no consumo doméstico (60 por cento poderá ser evitado), 39 por cento na indústria, cinco por cento na distribuição e 14 por cento no sector de restauração.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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