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Escândalo nº 4: cobertura da TDT não é total e cria “zonas sombra”

Sinal terrestre da TDT chega a menos lugares que o sinal analógico. PT procura economizar nos emissores e a cobertura é muito menor que em Espanha.
"Zonas sombra" obrigam a captação de sinal do satélite.

O documento Direito de Utilização de Frequências ICP-Anacom obriga a PT a garantir a que a rede de difusão terrestre da TDT abranja apenas 90,12% do território do Continente, 87,36% nos Açores e 85,97% da Madeira. O restante território, não abrangido por essa cobertura, constitui as chamadas “zonas sombra”, que para terem acesso à televisão precisam captar o sinal do satélite. Note-se que, por exemplo, em Espanha a cobertura é de 98,5% da população.

Nessas zonas, porém, dizia o mesmo documento, “A PT fica obrigada, nomeadamente, a subsidiar, incluindo a mão-de-obra, equipamentos recetores terminais, antena e cablagem, os clientes das zonas não cobertas por radiodifusão digital terrestre, para que estes não tenham qualquer acréscimo de custos, face aos utilizadores daquelas”.

Esta cláusula viria posteriormente a ser ignorada e a ANACOM editou novas regras, que obrigam os portugueses “de segunda” que vivem nessas zonas a terem sim acréscimo de custos, concretamente pagar pelo kit, comprado obrigatoriamente à... PT.

Mas há lógica em existirem zonas sombra? Por que não há uma maior cobertura nacional, como há em Espanha?

A resposta é dada mais uma vez pelos custos que a PT não quer arcar. Segundo o blog TDT em Portugal, a rede terrestre seria composta por 180 emissores; e ainda em Outubro a PT anunciou a entrada em funcionamento de novos emissores, sendo que até essa data só estavam instalados 173. A PT terá cancelado a instalação de alguns emissores. A cobertura terrestre da TDT deixou assim de fora muitas localidades do país que eram servidas por sinal analógico.

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