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Temperatura superficial do mar sobe 1,5ºC em 24 anos

Relatório da ONU alerta que aumento da temperatura do mar verificado entre 1982 e 2006 pode alterar o movimento de nutrientes nos oceanos, reduzindo a produção de peixes e prejudicando o sustento de milhares de milhões de habitantes. Por Jéssica Lipinski.
O oceano, Cabo da Roca : o ponto mais ocidental da Europa Continental – Foto de starrynight1/flickr

As mudanças climáticas, além de provocarem os fenómenos climáticos extremos, também são responsáveis por alterações em muitos ecossistemas e biomas de nosso planeta. Uma dessas alterações foi apresentada em um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que revela que em 24 anos, a temperatura superficial do mar aumentou cerca de 1,5ºC.

O documento, intitulado o Rumo à Recuperação e Sustentabilidade dos Grandes Ecossistemas Marinhos do Mundo durante as Alterações Climáticas, foi publicado no início de dezembro, na 17ª Conferência das Partes (COP17) em Durban, na África do Sul, e apresenta os dados de 64 grandes ecossistemas marinhos (GEMs).

Segundo a análise, entre 1982 e 2006, a temperatura de 61 dentre os 64 GEMs – dos quais três estão no Brasil – aumentou em até 1,5ºC. E em 18 das áreas cobertas por esses ecossistemas, a temperatura está aumentando de duas a quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento registadas pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Esse rápido aumento da temperatura superficial do mar pode levar a uma alteração no movimento de ascensão dos nutrientes das águas mais profundas e frias, chamado de ressurgência.

Esse processo é responsável por abastecer grande parte das cadeias alimentares marinhas, e sua modificação pode alterar as características de diversos ecossistemas, diminuindo inclusive a produção de peixes que abastecem os seres humanos.

Consequentemente, esse aquecimento poderá afetar a vida de milhares de milhões de pessoas que dependem do mar como fonte de alimentação, o que ocorre, sobretudo, nos países em desenvolvimento situados nas latitudes mais quentes da África, Ásia e América Latina.

O estudo indica também que, embora a quantidade de peixes aumente com a elevação das temperaturas, os animais diminuem de tamanho, o que constitui um problema para a reprodução de outras espécies e pode acarretar em um desequilíbrio ambiental.

Para combater os problemas desencadeados pelo aquecimento da superfície marítima, o relatório recomenda algumas providências, como estabelecer níveis sustentáveis de pesca nas regiões mais afetadas.

Além disso, a investigação sugere que devem ser tomadas medidas de precaução para manter a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, incluindo importantes sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluição eliminada nos mares.

“As mudanças climáticas são uma questão global muito importante e crítica. Sem ação, as alterações do clima poderiam anular décadas de progresso no desenvolvimento destes países e minar os esforços para a promoção do desenvolvimento sustentável”, alertou VeerleVandeweerd, diretora do grupo de meio ambiente e energia do PNUD.

Em alguns locais, como o Mar Amarelo, que banha o norte da China e o oeste da Coreia do Sul e do Norte, já há programas de ação estratégica (SAPs), que procuram tomar iniciativas para lidar com os problemas causados pelo aquecimento das águas marítimas superficiais.

No caso do SAP do Mar Amarelo, há, por exemplo, acordos entre os países responsáveis para reduzir a pesca em 33%, redirecionar os pescadores para outros meios de subsistência e reduzir a eliminação de lixo no mar.

Artigo de Jéssica Lipinski, publicado em Instituto CarbonoBrasil

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