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Um ano longo

Este é o ano em que vamos travar o bulldozer neocolonial da dupla Merkozy e sua dupla portuguesa favorita: PSD e CDS.

2011 ficou marcado pela entrada da Troika em Portugal, pela instabilidade do euro propositamente continuada por Merkel e Sarkozy, por medidas diárias de austeridade que só estão a dificultar a saída da crise. Foi um ano em que os mercados sequestraram a democracia, com o exemplo claro do referendo grego que nunca existiu. Foi um ano mau para os direitos. Foi um ano mau para a dignidade.

Mas também foi um ano em que vimos nascer a maior onda de mobilizações a nível internacional, com a primavera árabe a dar o toque de partida para movimentações que continuam até hoje, desde as Acampadas no Estado Espanhol, o movimento Occupy, a Geração à Rasca, as manifestações do 15 de Outubro, a segunda Greve Geral no espaço dum ano por parte dos sindicatos portugueses, a resistência corajosa do povo grego à austeridade sem nexo. Foi o início dum ciclo de combate pela dignidade, de combate dos 99% contra o abuso e o roubo organizado do capitalismo aos povos do planeta.

2012 será, portanto, um ano longo. Será um ano "com vários anos dentro", um ano difícil em que veremos muitos dos nossos amigos e colegas emigrar por necessidade extrema, deixar de estudar porque às propinas exorbitantes, acrescentam-se todas as dificuldades propositadamente impostas e que só pioram a recessão e destroem a economia. É matematicamente impossível pagar a dívida com recessão e destruição de empregos. É matematicamente impossível pagar a dívida com portugueses a emigrarem e deixarem de contribuir para levantar o país.

A hegemonia da ideia da inevitabilidade e de que "vivemos acima das nossas possibilidades" é a maior mentira da história da democracia portuguesa. Este é o ano em que vamos construir a resistência social à ditadura da dívida, a ditadura da austeridade. Este é o ano em que vamos travar o bulldozer neocolonial da dupla Merkozy e sua dupla portuguesa favorita: PSD e CDS.

E esta luta faz-se construindo a resistência a partir dos que rejeitam claramente este orçamento. E esta resistência crescerá. E esta resistência criará. E esta resistência vencerá. É impossível ficarmos parados. Já chega de sermos treinadores de bancada, vamos jogar o jogo todo, com a luta toda.

Sobre o/a autor(a)

Gestor de redes sociais, investigador em comunicação política.
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