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Prémio 'trabalhador do ano' para Américo Amorim

Bloco de Esquerda entrega taça na sede da empresa do “Rei da Cortiça”, em Aveiro, ironizando as declarações do homem mais rico de Portugal que afirmou: "Não me considero rico. Sou trabalhador".
"Pedem sacrifícios a quem tanto trabalha, mas para este trabalhador, em especial, afinal são só facilidades". Foto de Fotos Bahia

O Bloco de Esquerda entregou esta sexta-feira, na sede do maior grupo corticeiro português, o prémio “trabalhador do ano” a Américo Amorim, uma distinção atribuída também a Passos Coelho e a Paulo Portas. O gesto irónico foi motivado pelas declarações de empresário conhecido como o “Rei da Cortiça” e principal acionista da Galp, quando, a propósito da possibilidade de se aumentarem os impostos sobre as grandes fortunas, declarou publicamente: "Não me considero rico. Sou trabalhador".

O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco, que fez parte da delegação que entregou uma taça na sede do grupo corticeiro em Aveiro, disse que a distinção do empresário de Mozelos, em Santa Maria da Feira, era inevitável. “Esta é a altura de todos os balanços de 2011, vemos efetivamente que tinha de ser ele o premiado”, declarou. "É o homem mais rico de Portugal e insultou os portugueses porque, quando se pediam sacrifícios, dizia que era apenas mais um trabalhador".

O deputado bloquista sublinhou ainda que, na prática, Américo Amorim é também "o premiado das políticas do governo", na medida em que atualmente se pedem mais impostos aos portugueses, mas o industrial, "na sua engenharia financeira da fuga das SGPS, tem mais benefícios fiscais". "Este prémio também simboliza, por isso, as escolhas de Passos Coelho e Paulo Portas", disse Pedro Filipe Soares.

"Enquanto se pede aos portugueses que no próximo ano trabalhem mais meia hora por dia, Américo Amorim terá mais lucro porque beneficiará de meia hora gratuita dos seus trabalhadores – e esta é, no fundo, a política do Governo. Passos Coelho e Paulo Portas premeiam aquele que insultou o país", acrescentou o deputado. "Pedem sacrifícios a quem tanto trabalha, mas para este trabalhador, em especial, afinal são só facilidades".

Pedro Filipe Soares lembrou ainda que "as grandes fortunas veem as isenções fiscais aumentar, e os grandes patrões do nosso país veem os seus lucros aumentar com o trabalho gratuito". E concluiu: "Esta política dos sacrifícios é a política das desigualdades que o Governo está a impor ao país, e é isso que denunciamos neste prémio, de forma humorística".

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