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Governo fecha 300 quilómetros de ferrovia e enfrenta protesto ibérico

No dia 1 de janeiro, o Governo vai encerrar metade dos 622 quilómetros que se propõe cortar em 2012. Esta quinta-feira, autarcas e ambientalistas portugueses e espanhóis protestaram contra o encerramento do ramal de Cáceres e da Linha do Leste, que servia passageiros entre Abrantes e Badajoz.
Sindicalistas e ambientalistas portugueses e espanhóis juntaram-se em Valência de Alcântara para protestar contra o encerramento do ramal de Cáceres. Foto Nuno Veiga/Lusa

Dezenas de pessoas juntaram-se na estação ferroviária de Valência de Alcântara em protesto contra o encerramento do ramal ferroviário de Cáceres e a supressão do tráfego de passageiros entre Abrantes e Badajoz. Para além de autarcas, nesta concentração participaram ambientalistas da Quercus e Adenex, bem como sindicalistas da CGTP e das Comisiones Obreras, CGT e UGT espanholas, para além de representantes do comité de empresas  ferroviárias do país vizinho.

Depois de ter visto o serviço de passageiros suprimido em fevereiro passado, no ramal de Cáceres apenas passam comboios de mercadorias e o "Lusitânia Express" entre Lisboa e Madrid, que passará a circular na linha de Vilar Formoso/Salamanca.

“O Ramal de Cáceres (do lado português) atravessa uma região paisagística muito interessante, bonita, com estações lindas e tem grandes potencialidades turísticas”, afirmou Paulo Fonseca, do Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana (GAFNA). “Em vez de encerrar, devia-se reaproveitar e rentabilizar. Eu acredito que é possível. O problema é que quem governa o país está geri-lo neste momento como um contabilista”, acrescentou à agência Lusa.

“Não pode ocorrer o fecho dessa linha, porque, para além de ser uma comunicação centenária, a nossa zona (Estremadura) e o norte alentejano são duas zonas que estão numa situação económica difícil”, disse  Pablo Carrillo, presidente da Câmara de Valência de Alcântara. “Estamos numa zona de comunicações não privilegiada e o pouco que temos não podemos permitir que desapareça. Em vez de fechar esta linha o que é necessário fazer é potenciá-la e a nível de mercadorias tem grandes potencialidades”, sublinhou ainda o autarca.

Quanto à Linha do Leste, que deixará de servir para o transporte de passageiros a partir de domingo, do lado português abrange os concelhos de Abrantes, Ponte de Sor, Alter do Chão, Crato, Portalegre, Monforte e Elvas.

Para além da Linha do Leste, estão condenadas a desaparecer no início do ano as linhas do Corgo e Tâmega e o ramal da Figueira da Foz, bem como o serviço rodoviário alternativo que a empresa assegurava. “Deixando de existir a infraestrutura para a prestação do serviço de transporte ferroviário, não deve ser o operador deste transporte a assegurar as alternativas de mobilidade das populações”, justifica-se a administração da CP.

No dia 1, o Governo também irá pôr fim ao transporte de passageiros na ligação Beja-Funcheira, cortando assim a ligação ferroviária ao Algarve. Ao todo, em 2012 o Plano Estratégico de Transportes de Passos Coelho pretende cortar 622,7 quilómetros de ferrovia, que representam 18% da rede ferroviária portuguesa. A juntar aos troços que já tinham sido encerrados, os caminhos de ferro em Portugal perderam 41% da sua linha nos últimos anos.

ESQUERDA.NET | Beja protesta contra o encerramento de ligações ferroviárias

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